Saúde

Platô no Brasil foi muito alto, avalia pneumologista Margareth Dalcolmo

Especialista diz que país já parece ter passado do pico, mas que casos ainda crescem de forma assustadora

[Platô no Brasil foi muito alto, avalia pneumologista Margareth Dalcolmo]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 17 de Setembro de 2020 ⋅ 13:00

A médica pneumologista Margareth Dalcolmo, que também é pesquisadora da Fiocruz, avaliou que o pico da pandemia no Brasil, do ponto de vista numérico, já passou. Em entrevista a Mário Kertész hoje (17), durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole, ela afirmou que, ao contrário do ocorreu em países europeus, o país não registrou um pico de montanha, onde há um crescimento e uma queda abrupta.

"Ao contrário, a gente subiu muito e ficou num platô. Está descendendo, o platô ficou muito alto ainda de transmissão. Cidades como o Rio de Janeiro, São Paulos, Manaus que voltou a dar uma piorada, o Sul do Brasil e Brasília ainda mantêm uma taxa de transmissão ainda alta. A gente entende esse confinamento de seis meses. Tudo isso resulta de não terem sido tomadas as medidas mais duras de fechamentos, que nós insistentemente recomendamos antes de chegar ao pico epidêmico", avaliou a especialista

"Aqui no Rio nunca foi levado a sério. Em São Paulo foi, muito mais que o Rio, mas nunca se alcançou o 60% do distanciamento social, considerado ideal de distanciamento social. O Brasil nunca alcançou isso. O que nós vemos, como toda virose respiratória, a tendência, mesmo pandêmica, é que ela vá se arrefecendo ao longo do tempo. Mas isso é a custa de muita morte e muita morbidade que poderia ter sido melhor. Essa é a situação atual", acrescentou a médica. 

Ainda segundo Margareth, o Brasil desperdiçou a chance de seguir o exemplo de países vizinhos, como Argentina e Paraguai. A especialista diz que a falta de um discurso único sobre como reagir diante da pandemia causou danos à população. "Um discurso e ações harmônicos, com todo mundo dizendo a mesma coisa, como outros países latino-americanos como a Argentina, que deu um belo exemplo. Até o Paraguai, que a gente às vezes fas críticas, conseguiu controlar a pandemia", disse.

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