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Novos postais: aumenta busca de soteropolitanos por destinos não óbvios na cidade

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Novos postais: aumenta busca de soteropolitanos por destinos não óbvios na cidade

Metro1 lista pontos que devem entrar no roteiro turístico de Salvador

Novos postais: aumenta busca de soteropolitanos por destinos não óbvios na cidade

Foto: Iuri Barreto/ Valter Pontes/ SECOM/ Amanda Oliveira/ SECOM

Por: Luísa Carvalho no dia 29 de março de 2023 às 09:51

São 474 anos de emancipação política de Salvador. Desde a sua fundação por Tomé de Sousa, a Cidade da Bahia têm sido musa, protagonista e palco das mais variadas produções artísticas e eventos. Porém, ainda há muito para ser conhecido da capital pelos próprios soteropolitanos.

"Salvador tem uma história escondida de encantamento inesgotável que o baiano vê mas não enxerga", considera o historiador e guia de turismo Roberto Pessoa. “Tem gente que conhece o mundo, mas não sabe da importância do seu bairro, da origem do nome de sua rua", disse ao Metro1

A relação com a cidade, no entanto, tem mudado depois da pandemia de covid-19. Para o guia, que trabalha na área desde 1979, uma chave mudou para os baianos nos últimos três anos, com as restrições que dificultaram a saída do estado e o aumento dos preços de passagens e estadias. A grande maioria dos seus clientes percebeu que há muito a ser conhecido e redescoberto no quintal de casa.

Há quem observe ainda que essa é uma tendência anterior à pandemia. Iuri Barreto, criador do Soteropobretano, um guia para conhecer Salvador a preços baixos, considera que, desde a última década, existe um movimento dos moradores da capital para sair do óbvio em seus passeios pela cidade. “As pessoas buscam redescobrir a cidade muito além de sol e praia. Percebo uma mudança considerável também na maneira em que cada soteropolitano se sente um pouco influenciador e faz questão de que as pessoas abracem cada vez mais Salvador”, considera. 

Foto: Iuri Barreto/ Arquivo Pessoal

Lar de cerca de 300 famílias, a Vila Brandão, no Corredor da Vitória, era um desses lugares considerados “escondidos” há até pouco tempo. O endereço do Cantinho da Jô, hoje uma das referências da cidade em moquecas, foi aos poucos entrando no roteiro turístico da cidade a partir do trabalho de divulgação das belezas e possibilidades da Vila pela sua associação de moradores. 

Marcello Rodrigues, morador e guia de turismo, considera que o “jeito da comunidade” é o que atrai os soteropolitanos para o lugar. “É um dos poucos espaços da Vitória em que as pessoas conseguem ter acesso público ao mar. Elas buscam a Vila para ter uma vista bonita e são surpreendidas por um lugarejo onde as pessoas têm um senso de comunidade muito forte e ainda com uma culinária maravilhosa”, afirma Marcello ao Metro1.

 

Foto: Valter Pontes/ SECOM

A relação entre o espaço e a comunidade é central para vários pontos de Salvador. Esse também é o caso da Pedra de Xangô, parque localizado em Cajazeiras, o primeiro do Brasil a ser nomeado a partir de um orixá, inaugurado em maio do ano passado. O espaço, sagrado para as religiões de matrizes africanas, foi criado a partir da movimentação da comunidade de terreiro junto à academia e ao poder público e é uma opção de lazer e contato com a natureza, além de símbolo da história e ancestralidade baiana.

A prioridade de uso do lugar é para a privacidade de religiosos de candomblé e umbanda em seus rituais. Mas o espaço também recebe atividades e turistas sem associação direta à religião. O gestor do Parque de Xangô Pedro Victor Dias observa que, a partir das visitas, as pessoas não só começam a conhecer melhor os rituais afro-brasileiros e desfazer de seus preconceitos, mas a entender a própria cidade. 

Foto: Amanda Oliveira/ Secom 

Os aspectos religiosos se fazem presentes em toda a Salvador. Para o guia de turismo Roberto Pessoa, um passeio pela capital deve incluir seus mosteiros e catedrais, que guardam muitos tesouros e curiosidades. A influência arábe na cidade pode passar despercebida até que se preste atenção na Igreja Nossa Senhora da Conceição da Lapinha, entre os bairros da Liberdade e da Soledad. Ela é a única no Brasil construída no estilo mourisco, de influência moura. Quem chega e olha para o teto, é recebido por uma saudação em arábe, que indica: “Esta é a casa de Deus, este é o portão do céu”. 

O claustro da Igreja de São Francisco de Assis, no Pelourinho, aberto ao público na última semana, também deve passar a fazer parte do roteiro turístico da cidade. Descrito como um “teatro de azulejos" pelo guia, o espaço tem vários painéis sequenciais que contam a história do poeta romano Horácio.