Um nome na história

Confira o artigo de Diego Assis sobre o aniversário de 121 anos do Esporte Clube Vitória

[Um nome na história]
Foto : Divulgação/ECV/Felipe Oliveira

Por Diego Assis no dia 13 de Maio de 2020 ⋅ 17:08

Pioneirismo. Substantivo masculino. Particularidade ou caráter do que é ou de quem é pioneiro.

Quando na noite chuvosa de 13 de maio de 1899, aqueles jovens sob a liderança dos irmãos Valente que se reuniram no Corredor da Vitória, talvez tivessem noção da sua ideia pioneira. Eram jovens abastados que traziam de suas experiências na ilha britânica, um novo esporte muito pouco praticado e difundido em solo tupiniquim. O Vitória surge daí: pioneirismo e elite.

Anos após, fundando junto a outros clubes a Liga Baiana de Desportos Terrestres, o decano assume seu embrião e organiza um dos primeiros campeonatos de futebol em solo brasileiro e outra vez a veia pioneira revela-se.

Sem abandonar outras modalidades esportivas, firma-se como mais que um clube de futebol, é um ESPORTE CLUBE, campeão de terra e mar, da península de itapagipe, do farol da barra ao farol de itapuã. Sempre o primeiro.

E o cordão umbilical que o prende às elites soteropolitanas tarda, mas não impede que esse clube se reinvente e conquiste a massa.

Apesar de ser sempre o primeiro, não foi quando se recusou a aceitar negros nos seus “squads”, não foi quando tinha por orgulho se apresentar como o clube das famílias mais abastadas da cidade, “O TIME DAS ELITES”. É a nossa mancha histórica.

Mas se reinventou, e se reinventou aos toques dos pés negros de Siri e Juvenal (cada um à sua época) que fizeram extrapolar os limites do Corredor da Vitória, pular a Graça, sair da Barra e disseminar uma paixão por toda capital soteropolitana. Nem o conservadorismo elitista freou a veia popular do decano soteropolitano.

E se tínhamos que nos reinventar, precisávamos simplificar: rubro-negro baiano? NÃO! Muito grande. NÊGO! Retumbante, curto, original, negro. É nosso!

E passa a ecoar, cada vez mais longo, estridente, acompanhado, pelas ruas, avenidas, jardins, becos e vielas de Salvador: NÊEEEEEEGO!!

É aí que está a difusão da sua popularidade, no que é simples, no que é entendível, no que é repassado sem muitos retoques às suas proles. Sem muros, sem “porquês”, e foi assim que aconteceu comigo.

E se te perguntam, “por que você é Vitória?”, a resposta mais completa só pode ser “porque sim!”. Assim, simples, direto e objetivo.

E foi dessa forma, orgulhoso e sem muito espaço para retóricas clubísticas infrutíferas que os mais antigos suportaram tempos de escassez para transmitir essa paixão aos seus, mantendo a esperança em trios como Catimba, Osni e Mário Sérgio, nos gols de Ricky, até chegar o Barradão, de onde renascemos, refundamos e mais uma vez nos reinventamos.

Quem diria que o filho do Corredor da Vitória iria fincar suas raízes no subúrbio? Num antigo lixão? Perto da comunidade mais humilde? Reconstruir a partir de si um bairro inteiro sendo transformador da vida de milhares de soteropolitanos?

O Vitória ressurge em Canabrava e com ele ressurge a paixão rubro-negra, que traz títulos, conquista mais torcedores, protagonismo estadual, regional e em diversas oportunidades nacional. O Barradão é o maior gol da história do Vitória e a transformação social operada pela mudança para Canabrava se torna o seu maior título.

Agora o Vitória é mais que um clube, fez mais por região marginalizada da cidade que o poder público tinha feito em todo tempo anterior.

Outra vez pioneiro e sem parâmetro para se comparar no país (quiçá no mundo), o Vitória sai do berço da elite soteropolitana pro meio do povo, LITERALMENTE.

É essa a nossa história.

Temos gols, vitórias, títulos e papel de protagonista de uma mudança social importante para nos orgulharmos e compreendermos que o Vitória não simplesmente existe a 121 anos. Ele atua e seguirá atuando, exercendo o papel que lhe foi incumbido pela importância e grandeza que conquistou.

E hoje, cada canto dessa cidade respira vermelho e preto, nossas cores estão presentes nos carros, nas janelas, nos becos, nas lajes, em bandeiras, na pele, no peito.

E que se por um acaso o Vitória acabe amanhã (bate na madeira daí também), nosso nome está marcado na história. Nossa contribuição nunca será esquecida. O que nós fomos não se apagará. É eterno e não há quem mude.

Enfim, sem mais delongas. Parabéns pelos 121 anos do decano do futebol baiano, o pioneiro. O futebol brasileiro deve muito a existência do Esporte Clube Vitória. Vida longa!

Ah, e antes que eu esqueça: abre aquela cerveja, e se não bebe põe aquele jogo marcante pra assistir, veste a camisa, se puder abraçar, abrace um rubro-negro ou rubro-negra, mas fique em casa. O tempo que levará para nos encontrarmos nas arquibancadas do Barradão, depende de nós.

Fique em casa.

 


*As opiniões colocadas neste texto não representam, necessariamente, a posição do Grupo Metrópole

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