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Livro de 900 páginas, escrito por Ana Maria Gonçalves, é um conto histórico e que não pode faltar na sua estante

Foto: Divulgação
Forte, indigesto, doloroso e bonito. “Um defeito de cor", de Ana Maria Gonçalves, é o tipo de livro que não pode faltar na sua estante. Em mais de 900 páginas, a história perpassa as narrativas vividas na diáspora africana pelo povo negro, desde o horror do dia a dia nos navios negreiros, até as mazelas vivenciadas pelos escravizados em terra firme, como a fome, o luto, estupros, mutilamentos e toda a desumanidade acometida às vítimas.
Contada pelos olhos de Kehinde, que foi retirada da sua terra natal Salavu - uma cidade da República do Benim, no continente africano - e trazida para o Brasil, o enredo se desenvolve com grandes reviravoltas. Em uma espécie de autobiografia construída por uma personalidade histórica que participou de momentos essenciais para o país, como a Revolta dos Malês - o maior levante de escravizados do Brasil, que mobilizou cerca de 600 pessoas -, organizações secretas que ajudavam nas compras de cartas de auforria e o engrandecimento do sincretismo religioso, a obra é um registro histórico.
Juntamente com a dor e a raiva, o amor move a construção de cada página da obra, sendo uma espécie de fusão entre os sentimentos o que faz manter viva a esperança e a resistência de um povo na busca pela liberdade, sem perder a individualidade das personagens.
Íntimo, por se tratar de uma carta enviada para um certo alguém que Kehinde ama muito, mas complexo como uma verdadeira aula, o livro retrata ainda a potência da fé nos Órixas e Voduns, os costumes e a resistência das religiões de matriz africana, para se manterem de pé no território brasileiro. Eletrizante e de tirar o fôlego, a obra te faz esquecer o peso físico decorrente da quantidade de páginas e te guia de maneira abrupta até o fim.
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