Sábado, 12 de junho de 2021

Bahia

50 anos do início do carlismo: cientista político avalia relevância de ACM para a Bahia

Paulo Fábio lembrou do legado do ex-governador e da consolidação da figura política no carlismo

50 anos do início do carlismo: cientista político avalia relevância de ACM para a Bahia

Foto: Metropress

Por: Matheus Simoni no dia 07 de abril de 2021 às 14:22

O cientista político e ex-deputado estadual Paulo Fábio Dantas Neto fez uma análise da conjuntura política da Bahia e suas repercussões nacionais ao longo do tempo em entrevista a Mário Kertész hoje (7), durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole. Ele comentou os 50 anos do primeiro governo de Antônio Carlos Magalhães e do impacto dele na política do estado. ACM foi governador da Bahia, em três mandatos, deputado federal, senador, presidente do senado, e ministro de Estado. O início da trajetória dele na Bahia, segundo o cientista, até hoje representa um marco na história política do estado. 

"Aquele foi o momento da consolidação do poder pessoal de Antônio Carlos na Bahia em que ele passa a se transformar não apenas numa figura proeminente de uma elite dirigente colegiada, como era nos 60. Juracy, Luis Viana Filho, ele e, secundariamente, Lomanto. Tínhamos ali uma elite dirigente colegiada que se articulou com o golpe na última hora. É importante verificar isso. A direção da UDN baiana, até oito meses antes do golpe, ela tinha uma posição oposta de Carlos Lacerda. Era de compor e buscar aproximação do PSD, com Juscelino Kubitschek, para isolar o PTB, Jango e etc. Eles jogavam com a política", disse Dantas.

De acordo com Paulo Fábio, a respeito da conjuntura da época, a chegada de ACM ao governo teve um grande reflexo nas épocas seguintes. "O ACM que conhecemos nos anos 90 não teria acontecido se ele não tivesse feito essa inflexão para o plano nacional que precisou fazer nos anos 70", avaliou. 

No entanto, a postura de ACM na época da ditadura militar precisa ser avaliada de forma especial, segundo o cientista político. Para ele, as alianças da época não previam o período ditatorial instalado no país. "Não quero que tenha falsa impressão de que eu tenho a visão romântica de que ele era um sonhador. Ele teve um delírio de poder. Ele não teve noção clara de que ele tinha embarcado numa canoa que não era mais de 64. Muita gente embarcou, mas nem todo mundo embarcou esperando ditadura. Todo mundo embarcou imaginando que aquilo era para tirar João Goulart, os corruptos e depois ter eleição. Foram tomando tombos liberais e terminaram saindo. 68 é um marco e Médici é o grande presidente nessa radicalização do regime, que é exatamente quando ACM faz a passagem da prefeitura para o governo do estado", avaliou

TV METRO

Entrevistas

Ana Cristina Batalha

Em 11 de junho de 2021
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