
Bahia
‘Mulher encarcerada é a 3ª pessoa depois de ninguém’, diz diretora do conjunto penal feminino
Luz Marina incentiva visitação, mas adverte: “Não venham achando que estão indo para o Jardim Zoológico encontrar feras enjauladas”

Foto: Marina Hortélio/ Metropress
Diretora do Conjunto Penal Feminino de Salvador, Luz Marina Silva classificou a situação das detentas como de isolamento completo da sociedade. “Mulher encarcerada é a terceira pessoa depois de ninguém”, declarou, em entrevista à Rádio Metrópole.
De acordo com a ex-agente penitenciária, o que torna ainda mais cruel a realidade das presas são as poucas visitas recebidas, geralmente vindas do interior ou de outros estados.
“O encarceramento feminino é muito solitário, muito difícil, e a tensão é muito grande. Em um sistema machista, a mulher não tem vez nem voz. A mulher é abandonada no cárcere”, disse, ao acrescentar que, diferentemente da realidade masculina, quando as companheiras chegam a acampar na porta dos presídios um dia antes da visitação, apenas um terço das encarceradas recebe familiares.
Como forma de suavizar a decepção, atividades são feitas nas datas destinadas ao encontro com parentes, como cursos de leitura, promovido pela Universidade Federal da Bahia, e de Ioga, pela instituição Arte de Viver.
“A gente fica nesse ciclo vicioso de manter o preso na cadeia com o dinheiro de nossos impostos, uma, duas, três vezes. Eu sou contra encarcerar por encarcerar e luto para soltar, porque eu entendo que existem medidas alternativas como até a tornozeleira. Hoje eu tenho seis custodiadas com tornozeleira, agora que a mulher está tendo”, falou.
Na tentativa de reinserir as detentas na sociedade, Luz Marina costuma levar algumas delas para conferências com a finalidade de dar voz às verdadeiras beneficiadas nas ações discutidas nos eventos. “Mas o preconceito, vocês sabem, é muito grande… Por isso eu convido as pessoas a visitarem o nosso trabalho e aviso: não venham achando que estão indo para o Jardim Zoológico encontrar feras enjauladas”, defendeu.
O Conjunto Penal Feminino faz parte do Complexo Penitenciário Lemos de Brito, localizado no bairro de Mata Escura.
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