Bahia

Após mudança de gestão, baiano se pergunta: 'Agora a Agerba funciona?'

Com a mudança, assumiu o posto Carlos de Azevedo Martins, irmão do senador Angelo Coronel (PSD)

[Após mudança de gestão, baiano se pergunta: 'Agora a Agerba funciona?']
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Jornal da Metrópole no dia 14 de Março de 2019 ⋅ 09:40

Demorou, mas mudou de comando. A Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) está sob nova direção. Após longos anos sob a batuta de Eduardo Pessôa, o órgão frustrou todas as expectativas da sociedade e deixou muito a desejar na fiscalização, uma das maiores atribuições da agência. Ele estava no posto desde o governo Jaques Wagner e foi mantido na segunda administração do petista e na primeira eleição de Rui. Com a saída dele, o PSD manterá influência no cargo. Apesar dele não ser cota do partido, Eduardo Pessôa continuava na pasta a contragosto da cúpula da legenda, que comanda a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra). Durante os anos, acumulou denúncias, como a de duplo vínculo empregatício, e tragédias, como as mortes na travessia Salvador-Mar Grande.

Novo chefe é cota do PSD
Com a mudança, assumiu o posto Carlos de Azevedo Martins, irmão do senador Angelo Coronel (PSD) e filiado à legenda. A saída de Pessôa do posto foi ainda impulsionada por brigas entre ele e o atual titular da Seinfra, Marcus Cavalcanti. 

Com a ida do irmão de Coronel para o posto, o PSD, um dos maiores partidos da base do governador Rui Costa, aumentou seu poderio no Palácio de Ondina. Além dele, o partido do senador Otto Alencar levou 25% dos primeiros 20 nomes apresentados à imprensa pelo governador Rui Costa. 

Após quase 12 anos, diretor-executivo teve saída melancólica da pasta
No momento da sua saída do posto, o agora ex-diretor executivo reuniu funcionários e apresentou sua carta de demissão. Na missiva, Pessôa diz que sua saída tem motivo “de foro íntimo”, mas, nos bastidores, o desgaste político e a atuação do engenheiro engrenaram a saída. Somou-se a isso o fato de Eduardo Pessôa e o chefe da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), Marcus Cavalcanti, não comungarem de muita simpatia um pelo outro. “Me coloco a total disposição para fazer a transição de gestão da Agerba. Foi motivo de orgulho integrar a equipe deste governo”.

Gestão causou “arrepios” em conselheira
O tempo de Eduardo Pessôa à frente da Agerba levou espanto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em relatório, a conselheira Carolina Costa disse ficar assustada com o pagamento feito por empresas que deveriam ser fiscalizadas pela Agerba a uma consultoria que tinha Pessôa como sócio. Um especialista em Direito Público que preferiu não se identificar explicou que atuar em órgão de fiscalização simultaneamente à prestação de consultoria configura quebra da moralidade administrativa.

Nova gestão tem velhos desafios pela frente
Martins, novo dirigente da Agerba, tem velhos problemas para enfrentar. O maior deles, talvez, seja a fiscalização no Ferry Boat. O sistema passa por inúmeras dificuldades, como acúmulo de filas e até falta de atendimento médico nas embarcações. Com isso, quem sofre é a população que depende do serviço. 

Além disso, no sistema marítimo, há a travessia Salvador-Mar Grande, que, em 2017 deixou 18 mortos após um acidente. Durante o processo de investigação, perguntou-se qual seria a responsabilidade da Agerba, que nem uma simples lista de passageiros tinha. 

Irregularidade no transporte
As irregularidades no transporte também estão na mira da nova gestão da Agerba. Em resposta ao Jornal da Metrópole, por e-mail, a assessoria do órgão afirmou que a prioridade é “proporcionar melhorias em todos os serviços”. “Estamos buscando aumentar a eficiência do Sistema ferryboat, ampliar a atuação da fiscalização no combate ao transporte irregular e dar continuidade ao processo de concessão da nova rodoviária de Salvador”.

Leia essa e outras matérias no Jornal da Metrópole. 

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