Bahia

'Satanás irá cair': terreiro de candomblé é alvo de intolerância em Alagoinhas 

Em nota, a Frente Nacional Makota Valdina lamentou o ato e disse que o terreiro foi “brutalmente violentado”

['Satanás irá cair': terreiro de candomblé é alvo de intolerância em Alagoinhas ]
Foto : Divulgação

Por Alexandre Galvão no dia 28 de Maio de 2019 ⋅ 09:22

Membros do terreiro Ilê Asé Oyá Ladê Inan, em Alagoinhas, na Bahia, foram vítimas de um ato de intolerância religiosa na noite de ontem (27). De acordo com relatos nas redes sociais, integrantes da igreja evangélica Ferro Aço, Santa Terezinha, realizaram um "culto" em frente ao Ilê e usaram frases como "satanás irá cair". 

"Estamos nesse momento em um processo de investigação e encaminhando-nos a Delegacia da Policia Civil. Amanhã percorreremos a Promotoria de Justiça, à Secretaria de Meio Ambiente, à Secretaria de Serviços Públicos, à Secretaria de Assistência Social através da Diretoria da Promoção da Igualdade e todos os órgãos competentes a fim de que todas as medidas judiciais sejam aplicadas. Nossa Yalorixá, Mãe Rosa de Oyá é uma pessoa honrada e sempre foi respeitada em toda a Comunidade até o dia de hoje, porém é hipertensa e com mais de 60 anos de idade e presenciou em sua porta agressões que já limaram e estão limando pessoas e templos", diz, em nota, o terreiro. 

Em nota, a Frente Nacional Makota Valdina lamentou o ato e disse que o terreiro foi “brutalmente violentado”.

“Em uma prática de puro ódio religioso evangélicos invadiram o espaço externo do Terreiro e agrediram Mãe Rosa de Oyá e autoridades religiosas que estavam presentes. Diante do fato de racismo institucional e da violação do respeito ao livre exercício dos cultos religiosos e da garantia, na forma da lei, de proteção aos locais de culto e a suas liturgias, pedimos que os órgãos públicos competentes: Sepromi Ba / Defensoria Bahia possam dar uma atenção e encaminhamento para mais este caso no interior do Estado”. 

“Salientamos que estes e todos os casos de violência contra os nossos terreiros precisam ser combatidos de todas as formas, com medidas de proteção, políticas públicas, Ebós Coletivos, e a interpelação judicial para que seja exigido o respeito às tradições de matriz africana. Estamos organizados e atentos”, diz o comunicado.

Cantor, Hiran protestou contra o ataque. "Evangélicos sem noção e com nenhum Deus no coração decidiram fazer o culto para "fechar a casa do demônio" em frente à casa da minha Rainha. Estou transtornado", escreveu.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Em Alagoinhas, minha casa foi atacada! O Ilê Axé Oyá Ladê Inan, cuja família eu faço parte foi vítima de um ataque de ódio. Evangélicos sem noção e com nenhum Deus no coração decidiram fazer o culto para "fechar a casa do demônio" em frente à casa da minha Rainha. Estou transtornado, me tremendo de raiva e queria poder estar em casa pra me juntar com minha mãe Rosa, todos meus mais velhos e meus irmãos!!!!!! Família, contem comigo daqui!! #Repost @onisaje (@get_repost) ・・・ O nosso ilê axé Oyá L adê foi vítima de ódio religioso. Evangélicos se reuniram em culto na porta do nosso terreiro invocando Jesus para fechar a casa do demônio. Precisamos de ajuda, orientações. Sepromi precisamos de vcs!!!!!

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