Terça-feira, 30 de novembro de 2021

Bahia

Desembargador relembra importância de Ruy Barbosa; TJ-BA celebra 70 anos do Fórum da capital

Comemorações se iniciaram ontem (4); hoje, os festejos ocorrem na sede do Judiciário baiano, localizada no Centro Administrativo

Desembargador relembra importância de Ruy Barbosa; TJ-BA celebra 70 anos do Fórum da capital

Foto: Tácio Moreira / Metropress

Por: Alexandre Galvão no dia 05 de novembro de 2019 às 13:31

Presidente da Comissão de Igualdade do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), o desembargador Lidivaldo Reaiche Raimundo Britto falou em entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metrópole, da importância de Ruy Barbosa, que hoje completaria 170 anos. 

O magistrado ressaltou que a Corte baiana realiza festejos que rememoram a data do nascimento de Ruy, considerado por políticos, intelectuais e personalidades do Brasil como o maior brasileiro de todos os tempos. Ruy teve importância fundamental na construção da Bahia e do Brasil. É motivo de festa ainda os 70 anos do Fórum que leva o nome do baiano, na capital. 

As comemorações se iniciaram ontem (4). Hoje, os festejos ocorrem na sede do Judiciário baiano, localizada no Centro Administrativo. Às 17h, será inaugurado o Monumento Ruy Barbosa. Na oportunidade, acontece também a reinauguração do Memorial dos Presidentes, no átrio do edifício-sede da Corte. A programação inclui ainda o lançamento da 2ª edição do livro “Antecedentes Históricos do Fórum Ruy Barbosa”, com as devidas atualizações.

Ruy Barbosa – Jornalista, jurista, diplomata e amigo de grandes figuras humanas, como o poeta Castro Alves e o rábula Luiz Gama, o baiano soube construir pontes com outras figuras que marcaram a história do Brasil. 

  “Ele sempre foi um grande orador. Aos poucos foi se destacando no Rio de Janeiro. Ele começou na  Bahia, foi aluno do professor Ibirapitanga e deixou o professor surpreso. Quando passou para o  ginásio, estudou na escola que tinha Abílio César Borges como o diretor. Aí ele conheceu Castro  Alves. Os textos dele eram incríveis, mas a declamação de Castro Alves era imbatível”, conta o desembargador. 

  Ainda de acordo com Reaiche, os dois voltaram a se encontrar em diversos momentos da vida, como em Olinda, onde estudavam direito, e depois, em São Paulo, para concluir os estudos. “Lá em São   Paulo eles conheceram Luiz Gama, um rábula, um homem com uma história forte, mas também muito triste. Filho de Luiza Mahin, foi vendido pelo pai, que não tinha mais dinheiro. Só aprendeu a ler aos 17   anos e não conseguiu estudar em São Paulo por ser negro”, conta.

Os três fundaram uma loja maçônica, que, já na vanguarda, tinha como um dos pilares a abolição da escravatura para crianças. Essa seria uma das bases fundamentais para a Lei do Ventre Livre, que foi apresentada pelo Visconde do Rio Branco e sancionada em 28 de setembro de 1871 pela Princesa Isabel. 

Revisor da primeira constituição republicana do Brasil, Ruy Barbosa nunca teve receio de mostrar suas opiniões. Prova do forte temperamento, argumenta o desembargador, foi o fato de ter renunciado ao posto de imortal da Academia de Letras do Brasil, instituição que ele fundou e foi presidente. “Ele foi a única pessoa que renunciou à imortalidade. Não permitiram que ele votasse por telegrama ele renunciou”, lembra. 

Candidato duas vezes à Presidência da República, Ruy não conseguiu êxito, mas mudou a forma de fazer política no país. “Ele inaugurou a campanha como conhecemos hoje. Ele viajava, saia atrás do voto, fazia santinho. Ele comprou muita briga com os fazendeiros, por conta de ser abolicionista, e também era anticlerical. Então a igreja perseguiu muito”, conta Lidivaldo. 

História do TJ-BA – Ainda em entrevista a MK, Lidivaldo, que é desembargador desde 2014, falou da história da Corte baiana. Formada a princípio por magistrados que vieram de Portugal, o tribunal chegou a ser desativado em após invasão dos holandeses, que destroçaram a capital. Em 1653, uma nova sede foi erguida onde fica hoje o Elevador Lacerda, constituindo posteriormente a primeira Praça dos Três Poderes. Esse espaço, no entanto, foi demolido em 1872. Em 1904, o TJ voltou a funcionar na Praça da Piedade e, por lá ficou até 1930. Posteriormente, em 1949, foi para a Terreiro de Jesus. 

"A inauguração do TJ no Campo da Pólvora só aconteceu em 5 de novembro de 1949 e foi um acontecimento, com translado dos restos mortais de Ruy Barbosa, que faleceu aos 73 anos", lembra. 

Assista aqui a entrevista completa: 

 

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