Bahia

Reitor da Ufba critica novos cortes orçamentários: 'Insuportável e insustentável'

Segundo João Carlos Salles, novo ministro da Educação não promoveu diálogo e deu sequência a ataques do governo de Jair Bolsonaro

[Reitor da Ufba critica novos cortes orçamentários: 'Insuportável e insustentável']
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 14 de Agosto de 2020 ⋅ 08:51

O ex-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), João Carlos Salles, criticou a iniciativa do Ministério da Educação (MEC), que anunciou um corte de R$ 4,2 bilhões para 2021. A redução representa 18,2% em relação ao orçamento aprovado para 2020 para despesas discricionárias (não obrigatórias). Na avaliação de Salles, o corte, arquitetado pela área econômica do governo, não contou com o posicionamento do ministro Milton Ribeiro no sentido de dialogar com as instituições.

Em entrevista a Mário Kertész hoje (14), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, ele citou a saída de Abraham Weintraub do MEC como algo positivo, mas que não foi o bastante para conter o desmonte promovido pelo governo. "O desmonte e o ataque continua. Enfrentamos um ministro que não tinha sequer compostura. Não era só uma questão de letramento ou preparação, ele não guardava a dignidade do cargo e atacava diretamente a universidade e gestores. Falava de plantio extensivo de maconha e atacava disciplinas, como filosofia, sociologia e etc. Conseguimos uma vitória, porque uma pessoa como essa não podia estar num cargo de ministro da Educação, sem dúvida alguma", declarou o reitor.

"Mas o ataque continua e ele agora pode ser mais eficiente. Um ataque não é uma ameaça de bloqueio, como houve de 30% do orçamento com chantagem para votar pela reforma da Previdência e para as universidades que não fazem balbúrdia. Agora é uma redução na lei orçamentária. Uma redução de 18%. É importante que os ouvintes saibam o seguinte: não é só a UFBA que está sendo atacada, toda instituição federal, as quatro universidades federais e institutos terão um corte de 18% no orçamento", acrescentou Salles.

Ao todo, são cortes nas principais instituições localizadas na Bahia: A UFBA terá uma redução no orçamento de R$ 29.923 milhões. Também sofrerão reduções a UFRB (R$ 8,558 milhões), UFSB (R$ 3.587 milhões), UFOB (R$ 4.990 milhões), Ifba (R$ 16.181 milhões) e o Ifbaiano (R$ 9.287 milhões). 

"É insuportável e insustentável. O ministro mal chegou e ele simplesmente aceitou esse corte imposto pelo ministério da Economia. Não fez uma luta como deveria fazer em nossa opinião. Ele deveria reagir de maneira mais firme e não simplesmente fazer uma nota, onde ele diz que a administração pública terá que lidar com a redução. Esse 'terá que lidar' é um vaticínio? Está falando de uma fatalidade? É uma ordem? É um absurdo", reclamou o presidente da Andifes.

Questionado por MK, João Carlos Salles afirmou que o momento requer união da bancada baiana no Congresso, que pode impedir que os cortes sejam implementados. "Esse é o momento que a sociedade baiana e brasileira deve sensibilizar os parlamentares. O que é interessante na mensagem do ministro é que ele fala da administração pública. Ele não protege a educação, não separa a saúde. Ou seja, não compreende que há escolhas que a sociedade faz, escolhas pensando no futuro. Cabe aos parlamentares, cada parlamentar baiano e cada prefeito que deve lembrar daquele campus que tem em sua cidade e precisa de recursos. Devem pressionar os parlamentares para que a bancada da Bahia dê um exemplo de resistência e de defesa da educação superior em nosso estado", declarou Salles. 

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