Segunda-feira, 30 de março de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Bizarrices

/

Ainda é janeiro: especialista explica sensação coletiva de mês que não acaba

Bizarrices

Ainda é janeiro: especialista explica sensação coletiva de mês que não acaba

Ansiedade pela chegada do Carnaval em fevereiro e redução de recursos financeiros devido ao mês intenso são alguns dos motivos

Ainda é janeiro: especialista explica sensação coletiva de mês que não acaba

Foto: Reprodução/Soteropobretano

Por: Geovana Oliveira no dia 30 de janeiro de 2023 às 18:01

Dia 30 de janeiro e há quem diga que já chegou São João, mas o mês não acaba. Nas redes sociais, o tema virou um dos principais assuntos de reclamações e rendeu memes até da prefeitura de Salvador, que publicou: "Dos mesmos criadores de Agosto, veio aí Janeiro". 

A sensação coletiva, porém, tem explicação científica. Segundo o médico neurologista Ivar Brandi, o cérebro não processa o tempo como um relógio. Ou seja, a percepção cerebral do tempo é subjetiva e está relacionada à atividade de neurônios dopaminérgicos — responsáveis pela produção de dopamina. 

Ficou confuso? A gente explica: "Quanto maior a liberação de dopamina, maior a expectativa de recompensa e prazer, maior a sensação de que o tempo passa rápido. Quem se jogou no som da guitarra baiana de Baiana System e tambores do Olodum no domingo no Festival de verão, teve a sensação de que tudo durou apenas uma fração de segundo. Milésimos de segundos de muita ação dopaminérgica", diz o neurologista. 

O problema é que esse momento acaba e a percepção individual de passagem do tempo está relacionada também à ansiedade. De acordo com Brandi, quanto maior a ansiedade, mais lento o tempo passa. 

Em janeiro, em diversas festas de verão, são vividos "estímulos dopaminérgicos transitórios", como sentiram aqueles que participaram da Lavagem do Bonfim e os que curtiram os shows do Festival de Verão. Isso, associado à ansiedade pela chegada do Carnaval em fevereiro e à redução de recursos financeiros devido ao mês intenso, levam a um janeiro que parece interminável.

"O dia é 81 de Janeiro e eu já gastei o salário de janeiro e fevereiro", escreve uma usuária do Twitter. "Gente, sério, chega de janeiro! Ninguém aguenta mais", escreve outro. Um usuário ainda anuncia: "GRAVE: amanhã ainda é janeiro".

"No verão baiano de 2023, “o tempo é compositor de destinos, tambor de todos os ritmos”. O tempo cerebral de cada um. E quando chegar fevereiro, “eu quero ser carnaval!", conclui o médico Ivar Brandi, que também sente os efeitos de um janeiro eterno. 

Seguindo a lógica, a preocupação agora é só que o dia 31 de janeiro dure um mês e fevereiro tenha apenas dois dias. Mas isso vamos descobrir só em março. O motivo, pelo menos, já sabemos.