Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Brasil

Caso Carrefour 'merece atenção da sociedade brasileira', diz presidente do MP Democrático

Para Ricardo Prado, julgamento pode ser levado a júri popular: 'É uma tragédia muito grande'

[Caso Carrefour 'merece atenção da sociedade brasileira', diz presidente do MP Democrático]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 27 de Novembro de 2020 ⋅ 09:29


O presidente do Movimento do Ministério Público Democrático (MPD), Ricardo Prado Pires de Campos, comentou o assassinato João Alberto, homem negro de 40 anos, que foi espancado até a morte por dois seguranças brancos, na última quinta-feira (19), véspera do Dia da Consciência Negra, no Carrefour em Porto Alegre. Em entrevista a Mário Kertész hoje (27), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, o jurista afirmou que a Justiça não pode ser inerte em casos como esse.

"É uma tragédia muito grande. A gente vê isso tudo com muita tristeza. Acreditamos que é preciso tomar providências para que esse tipo de situação não volte a se repetir, além de ter que reparar na medida do possível. A vida não é possível recuperar mais, mas é preciso tomar as medidas necessárias para confortar a família, reparar a sociedade dessa tragédia e punir aqueles que participaram desta tragédia. É um caso que merece muita atenção da sociedade brasileira", afirmou Prado.

Ainda de acordo com o ex-procurador Ministério Público de São Paulo, é necessário punir também quem colaborou com assassinato. Ele cita o papel da fiscal do Carrefour, que também foi presa pela polícia gaúcha. "O que você tem são duas situações diferentes: uma é a da fiscal, que parece que tinha certa autoridade sobre os agressores e responderia pelo setor de segurança; e outra é a atitude das pessoas que ficaram assistindo. São duas situações, para o direito, diferentes. No caso da fiscal que poderia ter interferido, na qual ela fez menção que outras pessoas interferissem, ela foi presa como participante do crime de homicídio. Realmente isso é possível. Em nossa legislação, não são autores do crime apenas as pessoas que fazem a ação, mas também aquelas pessoas que colaboraram com esse comportamento", disse o presidente do MPD

Na avaliação de Ricardo Prado, a tentativa de associar a imagem de João Alberto a um criminoso é uma alternativa que pode ser considerada desrespeitosa se for adotada pela defesa dos acusados. "Essa sempre é a técnica da defesa. Ela vai procurar diminuir a gravidade do evento e vai buscar acontecimentos que teriam ocorrido na data, como também fatos pretéritos que poderiam desmerecer a vítima. A gente viu isso em questão de estupro recente, vemos isso em acusações de homicídio. Infelizmente, falta até um pouco de respeito nesse tipo de técnica de defesa. O que é importante ressaltar é que os crimes de homicídio são julgados inclusive pela sociedade. Esse caso, muito provavelmente, vai a júri. Se for a júri, quem vai julgar é o cidadão comum", declarou. 
 

Notícias relacionadas