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CPMI do INSS adia votação da quebra de sigilo do Banco Master

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CPMI do INSS adia votação da quebra de sigilo do Banco Master

Comissão retira requerimentos de pauta para ajustar marco temporal dos pedidos e aguarda depoimento de Daniel Vorcaro, dono do banco, no fim do mês

CPMI do INSS adia votação da quebra de sigilo do Banco Master

Foto: Reprodução/Banco Master

Por: Metro1 no dia 05 de fevereiro de 2026 às 13:48

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS decidiu nesta quinta-feira (5) adiar a votação da quebra de sigilo bancário do Banco Master referente aos últimos dez anos. A retirada dos requerimentos foi acordada entre líderes da oposição e da base do governo, segundo o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Os pedidos buscavam apurar possíveis irregularidades em empréstimos consignados intermediados pelo banco.

De acordo com o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP) a medida foi tomada para adequar o chamado marco temporal das informações solicitadas e para concentrar o foco exclusivamente nos consignados. A expectativa é que os requerimentos sobre o Master retornem à pauta em 26 de fevereiro, quando o dono do banco, Daniel Vorcaro, é esperado para depor na comissão.

Vorcaro deveria ter sido ouvido nesta quinta (5), mas a defesa pediu o adiamento. Ele foi convocado ainda no ano passado pela CPMI.

Também foi retirado de pauta um pedido para que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) enviasse dados sobre decolagens, pousos, destinos e listas de passageiros de aeronaves registradas em nome da Viking Participações, empresa da qual Vorcaro é sócio fundador.

Em dezembro, a CPMI aprovou a convocação de Vorcaro, a quebra de seu sigilo e o envio de relatório de inteligência financeira. Esses dados, porém, foram colocados sob sigilo por decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, e ficaram sob custódia da presidência do Senado. Após diálogo com a comissão, Toffoli sinalizou que os documentos poderiam ser liberados depois de análise da Polícia Federal.

Vorcaro foi preso em novembro de 2025 na primeira fase da operação que apura fraude de cerca de 12 bilhões de reais envolvendo o Banco Master. A prisão preventiva foi revogada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) no fim do mesmo mês e ele foi solto com tornozeleira eletrônica. Os indícios de irregularidades levaram o Banco Central a determinar a liquidação extrajudicial do banco.

A CPMI também adiou a votação do pedido de prisão do ex ministro do Trabalho e Previdência e ex presidente do INSS, José Carlos Oliveira, que já foi ouvido pela comissão e negou envolvimento nas fraudes.

Por outro lado, foram aprovados pedidos de prisão preventiva e de proibição de saída do país contra seis investigados no esquema. As solicitações serão encaminhadas ao STF, onde o ministro André Mendonça é o relator do caso.

A comissão ainda autorizou quebras de sigilo e pedidos de relatórios de inteligência financeira de empresas e pessoas ligadas a investigados, além de um pedido à Febraban para envio de dados sobre fraudes em consignados.

Na mesma reunião, a CPMI ouve o atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. Ao chegar ao Congresso, ele disse que irá esclarecer a atuação do instituto em relação aos empréstimos consignados e às devoluções de descontos considerados irregulares.