
Brasil
PGR aciona STF para acessar laudos de mortes em megaoperação no RJ
PGR alega que IML do Rio tem fornecido apenas respostas genéricas sobre as necropsias, sem liberar laudos

Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil
A Procuradoria-Geral da República (PGR) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar acesso integral aos laudos periciais das mortes registradas na Operação Contenção — realizada nos complexos do Alemão e da Penha no fim de 2025 — que se tornou a mais letal da história do estado ao deixar ao menos 117 mortos. A solicitação é feita após órgãos do governo fluminense negarem o compartilhamento de documentos detalhados sobre a ação policial.
A PGR diz que o Instituto Médico Legal (IML) do Rio tem fornecido apenas respostas genéricas sobre as necropsias, sem liberar os laudos. O Ministério Público Federal (MPF) pediu informações que incluem a trajetória dos disparos, distância dos tiros e aplicação do Protocolo de Minnesota, padrão internacional para apuração de mortes potencialmente ilegais.
Em devolutiva, o órgão estadual diz apenas que segue as normas vigentes, sem apresentar os documentos solicitados. "A resposta apresentada pelo IML [...] não é suficiente para atestar que houve atendimento aos parâmetros delineados na ADPF 635. O IML limitou-se a afirmar, genericamente, que os protocolos são seguidos, sem apresentar qualquer informação mais detalhada sobre a condução das perícias", diz o Ministério Público.
O pedido cita ainda indícios de possíveis violações. Relatórios da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e depoimentos colhidos pelo MPF apontam, além de relatos de execuções e suspeitas de alteração de cenas de crime, a desproporção no uso da força. A ofensiva da PGR ocorre no âmbito da ADPF das Favelas no Rio de Janeiro, que impõe restrições a operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro.
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