Brasil
Câmara aprova dois projetos de lei nesta quinta-feira; propostas seguem para sanção presidencial

Ex-deputado foi liberado na Flórida antes de encontro que tentaria evitar soltura; governo prepara ação para deportação

Foto: Gustavo Moreno/STF
A Polícia Federal do Brasil vai se reunir nesta quinta-feira (16) com autoridades dos Estados Unidos para entender as circunstâncias da soltura do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, ocorrida na quarta-feira (15).
O Brasil não foi formalmente informado da liberação. A reunião com o U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) já estava marcada previamente e tinha como objetivo discutir o caso e evitar a soltura, que acabou acontecendo antes do encontro.
Ramagem havia sido preso na segunda-feira (13), em Orlando, por questões migratórias. Ele foi levado a um centro de detenção no Condado de Orange, onde permaneceu em cela separada.
Na quarta-feira, o nome dele já não constava na lista de detidos do sistema do ICE. Segundo apuração da TV Globo com a polícia local, ele foi liberado às 14h52 no horário local (15h52 em Brasília).
A expectativa do governo brasileiro era que o ex-deputado permanecesse preso durante negociações para uma possível transferência ao país, já que é considerado foragido.
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão no caso da trama golpista. De acordo com o Supremo Tribunal Federal, ele utilizou o órgão para facilitar uma tentativa de golpe com o objetivo de manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.
Autoridades brasileiras preparam um relatório com documentos e informações para tentar acelerar a deportação do ex-deputado. O material deve ser encaminhado ao Enforcement and Removal Operations (ERO), divisão responsável por operações de imigração nos Estados Unidos.
A estratégia também inclui evitar a concessão de asilo político, já solicitado por Ramagem.
Segundo a Polícia Federal, ele deixou o Brasil em setembro do ano passado por Roraima e entrou na Guiana de carro, de forma clandestina. Em seguida, seguiu até Georgetown, de onde embarcou para os Estados Unidos.
O relatório em preparação deve destacar que a saída do país contou com apoio de uma organização criminosa ligada ao garimpo ilegal.
"Não há necessidade de pedido específico de deportação. No nosso entendimento, caso os argumentos sejam aceitos [contidos no documento], a deportação é automática", dizem os investigadores.
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