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Diretor-geral da PF retira credenciais de agente dos EUA após impasse envolvendo delegado brasileiro

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Diretor-geral da PF retira credenciais de agente dos EUA após impasse envolvendo delegado brasileiro

Andrei Rodrigues cita princípio da reciprocidade após restrições a policial da PF nos Estados Unidos; caso envolve prisão de Ramagem

Diretor-geral da PF retira credenciais de agente dos EUA após impasse envolvendo delegado brasileiro

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Por: Metro1 no dia 22 de abril de 2026 às 15:14

Atualizado: no dia 22 de abril de 2026 às 15:25

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta segunda-feira (22) que o delegado Marcelo Ivo de Carvalho retornou ao Brasil por determinação da própria corporação, e não por expulsão dos Estados Unidos.

"Não há nenhuma expulsão de funcionário brasileiro. Ele voltou por determinação minha, em razão desse episódio para que nós consigamos esclarecer se há um processo formal no Departamento de Estado, no próprio ICE...seja onde for", disse Andrei em entrevista à GloboNews.

A declaração ocorre após o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano informar que havia solicitado a saída de um delegado brasileiro do país. Sem citar nomes, o órgão afirmou que a autoridade teria tentado “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas”.

A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil confirmou que o agente citado é Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, em Miami. Ele havia sido designado para a função em março de 2023, com a missão de identificar e prender foragidos da Justiça brasileira em território americano.

Em resposta ao episódio, Andrei Rodrigues afirmou que retirou as credenciais de um servidor do departamento de imigração dos Estados Unidos que atuava em Brasília. Segundo ele, a decisão foi tomada com base no “princípio da reciprocidade”, após os EUA negarem as credenciais de serviço do delegado brasileiro.

“Não vamos expulsar ninguém aqui do Brasil. O Itamaraty está tratando, eu estava em viagem ao Exterior. O Itamaraty também no campo da reciprocidade diplomática tem feito reuniões, contatos, mas repito. É preciso que seja feita alguma formalização da nossa contraparte para que as coisas aconteçam”, afirmou.

De acordo com o diretor-geral da PF, a retirada das credenciais impede o agente americano de acessar a unidade da Polícia Federal na capital federal e também bases de dados utilizadas na cooperação entre os dois países. A situação, segundo ele, é equivalente à enfrentada pelo delegado brasileiro que atuava em Miami.

O caso envolve também o deputado Alexandre Ramagem, que deixou o Brasil em setembro de 2025 enquanto era investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta participação em uma trama golpista. Ele foi preso em abril deste ano em Orlando, na Flórida, por questões migratórias, mas pode aguardar em liberdade nos Estados Unidos enquanto tramita um pedido de asilo, segundo o ICE.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou o episódio durante viagem à Europa e afirmou que o governo brasileiro pode aplicar o princípio da reciprocidade. "Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil", declarou.