
Brasil
Relatório de comissão de mortos e desaparecidos conclui que JK foi assassinado pela ditadura
Comissão aponta responsabilidade do Estado brasileiro na morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek em 1976

Foto: Divulgação
A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu em relatório que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976. O documento contraria a versão oficial mantida desde a época, que atribuía a morte a um acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra (BR-116), próximo a Resende (RJ).
O texto foi elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão e reúne mais de 5 mil páginas, incluindo anexos e análises de investigações anteriores. A tendência, segundo apuração da imprensa nacional, é de aprovação do relatório pela maioria dos integrantes da comissão.
JK morreu em 22 de agosto de 1976, quando o Opala em que viajava colidiu com uma carreta após perder o controle na rodovia. O motorista e amigo do ex-presidente, Geraldo Ribeiro, também morreu no episódio. Investigações conduzidas durante a ditadura e pela Comissão Nacional da Verdade concluíram que houve um acidente provocado por uma suposta colisão com um ônibus.
O novo relatório, porém, se apoia em apurações posteriores, incluindo um inquérito do Ministério Público Federal concluído em 2019. A investigação descartou evidências da batida entre o ônibus e o carro de JK e apontou falhas graves nas perícias realizadas à época.
Uma das principais bases técnicas do documento é um estudo conduzido pelo engenheiro Sergio Ejzenberg, que revisou laudos antigos e produziu simulações em 3D do acidente. Segundo a análise, os laudos usados para sustentar a versão oficial apresentavam inconsistências técnicas.
O relatório também destaca o contexto político do período. Cassado pela ditadura após o golpe de 1964, JK era uma das principais lideranças de oposição ao regime e integrava a Frente Ampla. O documento menciona ainda a atuação da Operação Condor, articulação entre ditaduras sul-americanas para perseguir opositores políticos.
Caso o parecer seja aprovado, a comissão poderá recomendar a retificação da certidão de óbito de JK e de Geraldo Ribeiro, reconhecendo oficialmente que as mortes ocorreram em razão de perseguição política promovida pelo Estado brasileiro.
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