
Brasil
PF diz ao STF que mudança em área do INSS foi “burocrática” e nega interferência em investigações
Ofício enviado ao ministro André Mendonça afirma que alteração administrativa não afeta apurações sobre fraudes no instituto

Foto: Jose Cruz/Agência Brasil
A cúpula da Polícia Federal enviou um ofício ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmando que as mudanças internas nas áreas responsáveis pelas investigações de fraudes no INSS tiveram caráter apenas “burocrático” e não interferem na condução dos inquéritos.
A manifestação ocorreu após o ministro demonstrar irritação com a alteração e sinalizar que poderia determinar apuração sobre os reais motivos da decisão administrativa.
A mudança também gerou repercussão política. Integrantes da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que a medida faria parte de uma estratégia para proteger o filho do presidente, conhecido como Lulinha. Os investigadores apuram a relação dele com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como um dos personagens centrais do esquema investigado.
Segundo a Polícia Federal, a Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários foi apenas transferida para a estrutura da Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, responsável por investigações envolvendo pessoas com foro privilegiado.
A corporação sustenta que os delegados responsáveis pelos casos continuam atuando normalmente nas investigações e afirma que houve reforço da equipe envolvida nos inquéritos.
O delegado Guilherme Figueiredo Silva, chefe da divisão atingida pela mudança, teria sido surpreendido pela decisão da direção da PF. Oficialmente, a corporação afirma que ele não comandava diretamente um único inquérito sobre as fraudes, já que existem diferentes investigações conduzidas por delegados distintos.
Nos bastidores, porém, integrantes da PF afirmam que Silva possuía uma visão ampla das apurações relacionadas ao esquema no INSS. Ele também participou das negociações de acordos de delação premiada, incluindo o do empresário Maurício Camisotti, que já firmou colaboração com a Polícia Federal.
De acordo com relatos, o delegado demonstrou insatisfação após a mudança e teria comunicado a colegas próximos a intenção de deixar a chefia da área responsável pelas investigações.
Ainda segundo informações internas, caso decida sair do cargo, Silva deverá formalizar por escrito que a decisão partiu dele próprio e que não houve afastamento imposto pela direção da PF. A medida seria uma forma de evitar acusações de interferência política ou tentativa de proteção ao filho do presidente da República.
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