
Brasil
Morre Angelita Habr-Gama, brasileira referência mundial da medicina, aos 93 anos
Trajetória foi marcada por pioneirismo, inovação científica e reconhecimento internacional

Foto: Reprodução
A médica e professora Angelita Habr-Gama morreu aos 93 anos, na noite de sábado (30), em São Paulo. Ela estava internada desde o início do mês no Hospital Alemão Oswaldo Cruz e era considerada uma das maiores referências da medicina brasileira, com reconhecimento internacional por suas contribuições à pesquisa e ao tratamento do câncer colorretal.
Referência na cirurgia e na pesquisa
Professora titular emérita da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Angelita construiu uma trajetória marcada pela inovação científica. Ela integrou a lista dos 2% de cientistas mais influentes do mundo elaborada pela Universidade de Stanford e dedicou sua carreira ao estudo e tratamento de doenças que afetam o cólon, o reto e o ânus.
Avanços no tratamento do câncer de reto
A médica ficou conhecida por desenvolver e disseminar o protocolo “Watch and Wait”, estratégia que revolucionou o tratamento do câncer de reto. O método permite que pacientes selecionados preservem o órgão após resposta favorável ao tratamento, reduzindo a necessidade de cirurgias mais invasivas e ampliando a qualidade de vida dos doentes.
Legado para a medicina brasileira
Ao longo da carreira, Angelita criou a disciplina de Coloproctologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e fundou a Associação de Prevenção do Câncer de Intestino. Também entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a integrar, como membro honorária, a tradicional American Surgical Association. Em vida, costumava afirmar que sempre trabalhou por prazer e vocação, enquanto o reconhecimento profissional foi consequência de sua dedicação.
Homenagens após a morte
Pesquisadora e cirurgiã do Centro Especializado em Aparelho Digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Angelita recebeu homenagens da instituição após sua morte. Em nota, o hospital destacou a perda para a medicina nacional, ressaltou sua contribuição científica e manifestou solidariedade aos familiares, lembrando a profissional com respeito, admiração e gratidão.
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