
Brasil
Calotes e polêmicas envolvem idealizador de hotel de luxo no Palácio Rio Branco
Franco-americano Alexandre Allard é alvo de processo de inadimplência em um empréstimo de R$ 335 milhões liberado por Daniel Vorcaro para o megaprojeto Cidade Matarazzo, em São Paulo

Foto: Fernanda Louzada / Divulgação
Dívidas milionárias, cobranças judiciais, atrasos em pagamentos e uma disputa envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master colocaram o empresário franco-americano Alexandre Allard, que está por trás da ideia de transformar o Palácio Rio Branco em hotel de luxo na Praça Thomé de Souza, levantam dúvidas sobre sua capacidade de concretizar o projeto no Centro Histórico de Salvador.
Criador da Cidade Matarazzo, complexo residencial, hoteleiro e comercial de alto padrão em São Paulo, Allard enfrenta desde ações movidas por credores e fornecedores até o risco de perder participação no empreendimento. Tudo porque deixou de pagar parcelas de um empréstimo milionário contratado em 2024 junto ao Banco Master, então comandado pelo enrolado ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo informações divulgadas recentemente pelo jornal O Globo, Allard simplesmente não quitou as primeiras parcelas do aporte de aproximadamente R$ 335 milhões feito pelo Master. O montante bancou parte da construção da Cidade Matarazzo. As duas prestações iniciais, de R$ 9 milhões cada, venceram em fevereiro e março, mas não foram quitadas no tempo certo.
Conflito com os sócios
Como a participação do empresário no empreendimento foi oferecida como garantia da operação, ele corre o risco de perder sua fatia no negócio, caso a dívida não seja regularizada. O calote pode beneficiar a chinesa CTF, sócia majoritária do complexo e controladora do Hotel Rosewood São Paulo, o mais luxuoso do país. Pelo acordo societário, a empresa possui preferência para adquirir a participação de Allard em caso de execução da garantia.
Além da disputa envolvendo o financiamento, Allard também enfrenta um duelo com a própria CTF. O grupo chinês, dono da rede Rosewood, ingressou na Justiça com uma ação de responsabilidade civil contra o empresário, cobrando cerca de R$ 9 milhões por supostos prejuízos e pelo ressarcimento sobre gastos realizados em cartão corporativo do hotel.
Histórico de cobranças
Os problemas financeiros de Allard não se limitam à relação com bancos e investidores. Fornecedores ligados à Cidade Matarazzo acionaram a Justiça para cobrar pagamentos atrasados, incluindo empresas contratadas para eventos e obras no complexo.
Também há pendências relacionadas ao projeto "Sua Rua", iniciativa de revitalização urbana idealizada para o entorno da Cidade Matarazzo apoiada pela prefeitura de São Paulo. O projeto acumula atrasos, enfrenta dificuldades financeiras e é alvo de cobranças judiciais de fornecedores.
Outro caso envolve o empresário Marcos Elias, fundador da Empiricus, que em 2018 chegou a ser preso na Suíça por falsificação de documentos, de acordo com reportagem publicada pela Revista Piauí em abril de 2025. Após conceder um empréstimo de R$ 9,7 milhões a Allard, Elias ingressou na Justiça para cobrar uma dívida que, segundo o processo, girava em torno de R$ 5 milhões.
Acusações de racismo e xenofobia
Ex-executivos ouvidos pela Piauí também relataram episódios de comentários considerados racistas e xenofóbicos atribuídos ao empresário. Entre eles, está o uso da expressão "Macacoland" para se referir ao Brasil e aos brasileiros.
Allard admitiu ter utilizado o termo, mas afirmou que a declaração ocorreu em momentos de irritação com obstáculos enfrentados em seus empreendimentos. Ele negou ter comportamento preconceituoso e costuma associar sua imagem pública a pautas de diversidade, inclusão e preservação ambiental.
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