
Brasil
Dino retira sigilo de decisões sobre esquema criminoso investigado no Maranhão
Decisões do STF citam desvio de recursos públicos, emendas parlamentares, homicídio e suposta tentativa de obstrução envolvendo agentes públicos

Foto: Gustavo Moreno/STF
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de três decisões relacionadas a investigações sobre corrupção, desvio de emendas parlamentares, um homicídio e a suposta atuação criminosa de um policial federal infiltrado no Maranhão. Um dos casos envolve o senador Weverton Rocha (PDT-MA), citado nas apurações sobre uma possível tentativa de dificultar o avanço de uma investigação de homicídio.
Segundo os autos, o parlamentar teria atuado para impedir, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o andamento das investigações sobre o assassinato de um empresário maranhense ocorrido em 2022. As decisões tornadas públicas por Dino também apresentam diálogos entre Weverton e o então ministro do STJ Humberto Martins, que era relator do caso na Corte.
Em uma das decisões, Dino descreve a existência de um “ecossistema empresarial criminoso” no Maranhão, que, segundo as investigações, estaria relacionado ao desvio de recursos públicos, inclusive por meio de emendas parlamentares federais. O ministro também relaciona o homicídio ocorrido em agosto de 2022 a uma suposta cobrança de propinas envolvendo contratos públicos.
De acordo com Dino, a tentativa de obstruir as investigações teria envolvido policiais federais e civis, advogados e políticos, entre eles um senador da República. Um policial federal chegou a ser afastado após ser apontado como possível integrante do esquema. Segundo a investigação, ele teria visitado o autor do homicídio e familiares do envolvido.
Ainda conforme a decisão, a apuração aponta que o assassinato teria ocorrido em meio a uma disputa relacionada ao pagamento de contratos públicos e propinas. O caso também teria revelado suspeitas de outros crimes, incluindo uma suposta negociação de vagas e nomeações no Tribunal de Contas do Maranhão com o objetivo de garantir proteção a integrantes do grupo investigado.
Weverton Rocha nega envolvimento em irregularidades. O Superior Tribunal de Justiça ainda não havia se manifestado sobre o caso até a publicação das informações. As investigações seguem em andamento e as citações nos autos não representam, por si só, condenação ou comprovação de responsabilidade criminal.
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