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MP de SP denuncia 16 pessoas por desvio de metanol para adulteração de combustíveis

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MP de SP denuncia 16 pessoas por desvio de metanol para adulteração de combustíveis

Investigação aponta que grupo comprava o produto com documentos falsos e o desviava para postos de gasolina da Grande São Paulo

MP de SP denuncia 16 pessoas por desvio de metanol para adulteração de combustíveis

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Por: Metro1 no dia 26 de agosto de 2026 às 15:42

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou 16 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa que teria atuado no desvio de metanol para adulterar combustíveis em postos da Grande São Paulo. Entre os envovidos está o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, apontado como um dos principais financiadores do esquema e atualmente foragido. 

A denúncia é resultado das investigações das operações Carbono Oculto e Boyle. Segundo o Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Guarulhos, o grupo adquiria metanol de grandes importadoras e terminais marítimos utilizando documentos e notas fiscais falsas. Os registros indicavam que o produto seria destinado a empresas químicas de fachada para a fabricação de biodiesel ou solventes. Na prática, o material seria desviado diretamente para postos de combustíveis.

De acordo com o MPSP, os valores obtidos com o esquema eram lavados por meio da BK Instituição de Pagamento e movimentados através de fundos de investimento em direitos creditórios. Os denunciados podem responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, crimes contra a ordem econômica, ambientais e tributários, além de estelionato e fraude contra o consumidor.

Esquema teria funcionado por oito anos

A denúncia aponta que a organização criminosa atuou de forma contínua entre 2017 e 2025. As primeiras apurações ocorreram em maio de 2023, quando a Polícia Rodoviária Federal interceptou um caminhão que transportava metanol puro.

Em junho de 2025, outro caminhão carregado com o produto foi flagrado desviando da rota e descarregando o material nos tanques de quatro postos da capital paulista. Fiscalizações posteriores realizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) identificaram adulteração na gasolina dos estabelecimentos.

Segundo a investigação, “Beto Louco” teria utilizado empresas como a Aster, que teve as licenças cassadas pela ANP, para movimentar recursos e financiar as atividades do grupo. Os demais denunciados são apontados como operadores logísticos, sócios de empresas químicas, laranjas e fornecedores de metanol.

Relação com o PCC

A investigação também menciona uma ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), mas restrita a um dos denunciados, Admar de Carvalho Martins. Além de ser alvo da Operação Carbono Oculto, ele responde a outro processo relacionado à empresa de ônibus UPBus, que teve entre seus sócios pessoas apontadas como integrantes da liderança da facção, como Sílvio Luís Ferreira, conhecido como Cebola.

A defesa de Roberto Augusto Leme da Silva não respondeu aos questionamentos. O advogado de Admar de Carvalho Martins também não foi localizado. Os espaços permanecem abertos para manifestações.