
Brasil
Correios encerram negociação e aguardam decisão do TST sobre greve dos trabalhadores
Greve chega ao oitavo dia em meio a impasse sobre plano de saúde e mudanças nas condições de trabalho

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os Correios decidiram encerrar as negociações com os representantes dos trabalhadores no Tribunal Superior do Trabalho (TST) e agora aguardam o julgamento do dissídio coletivo, previsto para a próxima segunda-feira (21). A Corte vinha conduzindo as tratativas nos últimos dias, mas, sem um acordo, os trabalhadores mantiveram a greve, que chega ao oitavo dia.
No pedido de dissídio apresentado ao TST, a direção dos Correios argumentou que precisa reduzir despesas diante do processo de reestruturação da empresa. De acordo com a estatal, 89% das receitas são comprometidas com salários e benefícios, cenário que, segundo a empresa, dificulta a recuperação financeira.
Entre os pontos já acordados está o reajuste salarial de 4,35%, correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), com aplicação retroativa a 1º de agosto. A principal divergência envolve as alterações propostas pelos Correios no plano de saúde dos funcionários.
A empresa espera que a decisão do TST, sob relatoria do presidente da Corte, Vieira de Mello Filho, contribua para a recuperação financeira e facilite a obtenção de um empréstimo de R$ 7 bilhões junto a um grupo de bancos, com garantia da União. A paralisação tem afetado a prestação dos serviços dos Correios.
Entre as principais propostas apresentadas pela empresa estão:
- Redução do adicional de férias de 70% para 1/3 do salário, conforme previsto na CLT;
- Pagamento de horas extras conforme as regras da CLT, em substituição ao adicional de 200%;
- Exclusão do abono, conhecido como "vale-peru", diante dos prejuízos recorrentes registrados pela empresa;
- Retorno do registro eletrônico de ponto;
- Retomada do cálculo para dimensionamento das unidades, considerando a relação entre demanda e capacidade instalada;
- Retirada da condição dos Correios como mantenedora do plano de saúde, com a manutenção do subsídio da empresa aos empregados. Segundo a proposta, a medida reduziria o risco atuarial assumido integralmente pela estatal, atualmente estimado em quase R$ 600 milhões em provisões.
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