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Mãe e irmão de Oruam são presos em operação da PF contra esquema de internet do CV

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Mãe e irmão de Oruam são presos em operação da PF contra esquema de internet do CV

Ação cumpre mandados no Rio de Janeiro e bloqueia até R$ 558 milhões em bens e valores

Mãe e irmão de Oruam são presos em operação da PF contra esquema de internet do CV

Foto: Divulgação/PF

Por: Metro1 no dia 19 de outubro de 2026 às 13:29

Atualizado: no dia 19 de outubro de 2026 às 15:38

A mãe e o irmão do rapper Oruam foram presos nesta segunda-feira (19) durante a Operação Backbone, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para combater um esquema de controle ilegal de provedores de internet pelo Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro. Márcia Gama Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, estão entre os alvos de mandados de prisão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Até a última atualização, 20 mandados de prisão haviam sido cumpridos, incluindo o do vereador do Rio de Janeiro Fabio Silva (Podemos), preso em Londrina (PR). Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, pai de Oruam, também foi alvo de um mandado, apesar de já estar encarcerado. Não havia confirmação sobre uma eventual investigação contra o rapper neste inquérito.

A operação mobilizou agentes para cumprir 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Também foi determinado o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores de 40 pessoas físicas e 42 empresas, além da suspensão das atividades econômicas de pessoas jurídicas investigadas.

Como funcionaria o esquema de internet do tráfico

Segundo a Polícia Federal, o Comando Vermelho utiliza empresas provedoras de internet para ampliar sua atuação econômica em comunidades dominadas pela facção. As investigações apontam que o grupo impõe a contratação de serviços controlados pelo tráfico e dificulta a operação de empresas concorrentes.

De acordo com a PF, criminosos armados cortam cabos, incendeiam caixas de distribuição e impedem que operadoras regulares realizem reparos. Com isso, moradores e comerciantes seriam pressionados a contratar a chamada “internet do tráfico”. Provedores autorizados a atuar nesses territórios também pagariam mensalmente uma taxa à organização criminosa.

A corporação afirma ainda que os lucros seriam repassados à família de Marcinho VP por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem. Os recursos, segundo os investigadores, seriam ocultados em negócios como produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão e criptoativos.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deverá ser comunicada para avaliar a cassação das autorizações e a interdição dos provedores investigados, com medidas destinadas a garantir a continuidade do serviço aos moradores das áreas afetadas.

Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, extorsão e interrupção de serviços de telecomunicações, entre outras infrações apontadas na investigação.

Histórico de investigações

Em abril deste ano, Oruam, sua mãe e seu irmão já haviam sido alvos de uma fase da Operação Contenção, conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, que apurava suspeitas de lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho. Na ocasião, eles não foram encontrados.

No mês seguinte, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou Marcinho VP, Márcia, Oruam e outras nove pessoas à Justiça por suspeitas de organização criminosa e lavagem de dinheiro.