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Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827 milhões em dívidas

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Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827 milhões em dívidas

Rede de brinquedos atribui dificuldades à alta dos juros, às mudanças no consumo e à concorrência de plataformas asiáticas

Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827 milhões em dívidas

Foto: Divulgação

Por: Metro1 no dia 19 de outubro de 2026 às 15:38

O grupo Ri Happy Brinquedos, responsável pelas redes Ri Happy e PBKids, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo neste domingo (18). A empresa busca renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas em meio a dificuldades financeiras que, segundo a companhia, foram agravadas pelo cenário econômico e pelo aumento da concorrência no setor.

Em documento apresentado à Justiça, a varejista afirma que foi afetada pelos efeitos da pandemia, pela alta carga tributária, pelas mudanças nos hábitos de consumo e pelo aumento dos juros. A empresa também aponta a expansão de plataformas asiáticas, como Shopee e AliExpress, como um dos fatores que pressionam suas operações, ao obrigar a redução de preços e margens para manter a competitividade.

A companhia já havia renegociado R$ 292 milhões em dívidas em 2023, na tentativa de adequar os compromissos financeiros à sua capacidade de geração de caixa. No entanto, a permanência dos juros elevados e o aumento dos custos de capital dificultaram a recuperação do negócio.

A Ri Happy terá 90 dias para consolidar a aprovação do plano de reestruturação junto aos credores. De acordo com o documento, a empresa já obteve a adesão de 42,38% dos detentores de créditos, o equivalente a R$ 308,8 milhões.

Entre os principais credores estão o fundo de investimentos Carlyle, com quase R$ 100 milhões a receber, o Banco do Brasil, com R$ 94 milhões, e o Santander, com R$ 58,5 milhões. A lista também inclui fabricantes de brinquedos, como Mattel, com R$ 54 milhões em créditos, Hasbro, com R$ 50 milhões, e Sunny Brinquedos, com R$ 42 milhões.

A reestruturação ocorre após a venda da companhia pela SPX Capital para a BluSun Capital Partners, concluída em agosto deste ano. Com a mudança de controle, o executivo Héctor Núñez voltou a comandar a empresa.

Fundada em 1998, a Ri Happy afirma ter 292 unidades em funcionamento no Brasil, sendo 204 lojas próprias e 88 franquias. A rede emprega diretamente mais de 2,6 mil pessoas e comercializa cerca de 16,3 milhões de produtos por ano, com receita líquida média anual de R$ 1,2 bilhão.

A crise no setor também atinge outras empresas tradicionais. A fabricante Estrela, uma das principais do mercado nacional de brinquedos, recorreu recentemente à recuperação judicial para tentar reestruturar uma dívida de R$ 109,2 milhões.