
Brasil
Após roubo de R$ 34 bilhões, corretora diz que investimentos de brasileiros estão seguros
Binance afirma que ativos são armazenados em carteiras frias, mas mantém saques suspensos temporariamente para realizar uma verificação de segurança

Foto: Magnific
A corretora de criptomoedas Binance afirmou nesta sexta-feira (30) que os investimentos de seus clientes no Brasil permanecem seguros, apesar do ataque hacker que provocou o roubo de US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões) em ativos digitais.
Em comunicado, a empresa informou que as criptomoedas dos usuários brasileiros são armazenadas em cold wallets, conhecidas como carteiras frias. O sistema mantém as chaves necessárias para movimentar os ativos desconectadas da internet, o que dificulta o acesso de criminosos virtuais.
A Binance também declarou que segue as exigências do Banco Central do Brasil (BC) para manter separados os recursos dos clientes e os valores pertencentes à própria empresa.
Apesar da garantia de segurança, os saques de criptomoedas continuam temporariamente suspensos. Segundo a corretora, a medida é preventiva e foi adotada para permitir uma análise detalhada dos sistemas de segurança. Os demais serviços da plataforma seguem funcionando normalmente.
A empresa não informou uma data exata para a retomada dos saques, mas uma atualização anterior apontou a expectativa de restabelecimento das operações nas próximas 45 horas.
“A segurança dos ativos virtuais de nossos clientes continua sendo nossa maior prioridade”, declarou a Binance, que também pediu desculpas pelos transtornos provocados pela suspensão.
Impacto no mercado
O ataque também provocou preocupação entre investidores de outras plataformas. Segundo Celso Camilo, doutor em Inteligência Artificial pela Universidade Federal de Goiás (UFG), o episódio não significa que todos os investidores em criptomoedas estejam expostos ao risco de perder seus recursos, mas pode afetar a confiança no mercado.
“Estamos falando da maior corretora de criptoativos do mundo, e um incidente dessa dimensão afeta diretamente a confiança dos investidores. Quem mantém recursos na Binance enfrenta uma exposição mais direta ao problema, principalmente em relação à segurança dos ativos e à disponibilidade de saques”, afirmou.
O especialista explicou que investidores de outras corretoras não estão necessariamente expostos ao ataque, embora também possam sofrer consequências da desvalorização das criptomoedas.
"Portanto, é importante separar o risco de perder recursos em uma plataforma do risco de desvalorização dos ativos, que atinge o mercado de maneira mais ampla", acrescentou.
Por volta das 14h desta sexta-feira, o Bitcoin e o Ether registravam quedas superiores a 5%, cotados a US$ 77.212,60 (R$ 416,9 mil) e US$ 2.245,39 (R$ 12,1 mil), respectivamente. O BNB, criptomoeda ligada à Binance, recuava 6%, para US$ 700,80 (R$ 3,8 mil).
As perdas também atingiram empresas do setor nos Estados Unidos. As ações da Coinbase caíam mais de 13%, enquanto os papéis da Strategy, uma das principais investidoras institucionais em Bitcoin, recuavam mais de 8%.
O que se sabe sobre o ataque hacker
A Binance foi alvo de um ataque hacker na quinta-feira (29), considerado o maior roubo já registrado na história do mercado de criptomoedas. Empresas especializadas em rastreamento de ativos digitais, como TRM Labs e Chainalysis, apontaram suspeitas de envolvimento de hackers ligados à Coreia do Norte. A corretora, no entanto, afirmou que sua investigação ainda não identificou os responsáveis.
Após o ataque, a plataforma suspendeu temporariamente os saques e informou que pretende cobrir todas as perdas. Segundo a Reuters, a empresa também trabalha com autoridades policiais de diferentes países, incluindo o Departamento Federal de Investigação (FBI) e o Serviço Secreto dos Estados Unidos.
Até o momento, cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16,2 bilhões) em criptomoedas roubadas foram localizados. Parte dos recursos já foi bloqueada com a colaboração de outras empresas do setor, mas ainda não há confirmação de que todo esse montante tenha sido recuperado.
As primeiras informações sobre o ataque indicam que os criminosos podem ter explorado falhas nos sistemas de segurança da corretora. Inicialmente, a Binance suspeitou que a invasão tivesse começado pelo computador de um de seus engenheiros. Posteriormente, a empresa informou ter identificado outras vulnerabilidades que também podem ter sido utilizadas.
De acordo com a TRM Labs, os hackers conseguiram comprometer o sistema responsável por autorizar transferências de criptomoedas. A maior parte do roubo ocorreu em aproximadamente 20 minutos, por volta das 17h, no horário de Brasília.
Depois de desviar os ativos, os criminosos passaram a movimentar rapidamente os valores para dificultar o rastreamento e uma possível recuperação.
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