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Após roubo de R$ 34 bilhões, corretora diz que investimentos de brasileiros estão seguros

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Após roubo de R$ 34 bilhões, corretora diz que investimentos de brasileiros estão seguros

Binance afirma que ativos são armazenados em carteiras frias, mas mantém saques suspensos temporariamente para realizar uma verificação de segurança

Após roubo de R$ 34 bilhões, corretora diz que investimentos de brasileiros estão seguros

Foto: Magnific

Por: Metro1 no dia 30 de outubro de 2026 às 14:48

A corretora de criptomoedas Binance afirmou nesta sexta-feira (30) que os investimentos de seus clientes no Brasil permanecem seguros, apesar do ataque hacker que provocou o roubo de US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões) em ativos digitais.

Em comunicado, a empresa informou que as criptomoedas dos usuários brasileiros são armazenadas em cold wallets, conhecidas como carteiras frias. O sistema mantém as chaves necessárias para movimentar os ativos desconectadas da internet, o que dificulta o acesso de criminosos virtuais.

A Binance também declarou que segue as exigências do Banco Central do Brasil (BC) para manter separados os recursos dos clientes e os valores pertencentes à própria empresa.

Apesar da garantia de segurança, os saques de criptomoedas continuam temporariamente suspensos. Segundo a corretora, a medida é preventiva e foi adotada para permitir uma análise detalhada dos sistemas de segurança. Os demais serviços da plataforma seguem funcionando normalmente.

A empresa não informou uma data exata para a retomada dos saques, mas uma atualização anterior apontou a expectativa de restabelecimento das operações nas próximas 45 horas.

“A segurança dos ativos virtuais de nossos clientes continua sendo nossa maior prioridade”, declarou a Binance, que também pediu desculpas pelos transtornos provocados pela suspensão.

Impacto no mercado

O ataque também provocou preocupação entre investidores de outras plataformas. Segundo Celso Camilo, doutor em Inteligência Artificial pela Universidade Federal de Goiás (UFG), o episódio não significa que todos os investidores em criptomoedas estejam expostos ao risco de perder seus recursos, mas pode afetar a confiança no mercado.

“Estamos falando da maior corretora de criptoativos do mundo, e um incidente dessa dimensão afeta diretamente a confiança dos investidores. Quem mantém recursos na Binance enfrenta uma exposição mais direta ao problema, principalmente em relação à segurança dos ativos e à disponibilidade de saques”, afirmou.

O especialista explicou que investidores de outras corretoras não estão necessariamente expostos ao ataque, embora também possam sofrer consequências da desvalorização das criptomoedas.

"Portanto, é importante separar o risco de perder recursos em uma plataforma do risco de desvalorização dos ativos, que atinge o mercado de maneira mais ampla", acrescentou.

Por volta das 14h desta sexta-feira, o Bitcoin e o Ether registravam quedas superiores a 5%, cotados a US$ 77.212,60 (R$ 416,9 mil) e US$ 2.245,39 (R$ 12,1 mil), respectivamente. O BNB, criptomoeda ligada à Binance, recuava 6%, para US$ 700,80 (R$ 3,8 mil).

As perdas também atingiram empresas do setor nos Estados Unidos. As ações da Coinbase caíam mais de 13%, enquanto os papéis da Strategy, uma das principais investidoras institucionais em Bitcoin, recuavam mais de 8%.

O que se sabe sobre o ataque hacker

A Binance foi alvo de um ataque hacker na quinta-feira (29), considerado o maior roubo já registrado na história do mercado de criptomoedas. Empresas especializadas em rastreamento de ativos digitais, como TRM Labs e Chainalysis, apontaram suspeitas de envolvimento de hackers ligados à Coreia do Norte. A corretora, no entanto, afirmou que sua investigação ainda não identificou os responsáveis.

Após o ataque, a plataforma suspendeu temporariamente os saques e informou que pretende cobrir todas as perdas. Segundo a Reuters, a empresa também trabalha com autoridades policiais de diferentes países, incluindo o Departamento Federal de Investigação (FBI) e o Serviço Secreto dos Estados Unidos.

Até o momento, cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16,2 bilhões) em criptomoedas roubadas foram localizados. Parte dos recursos já foi bloqueada com a colaboração de outras empresas do setor, mas ainda não há confirmação de que todo esse montante tenha sido recuperado.

As primeiras informações sobre o ataque indicam que os criminosos podem ter explorado falhas nos sistemas de segurança da corretora. Inicialmente, a Binance suspeitou que a invasão tivesse começado pelo computador de um de seus engenheiros. Posteriormente, a empresa informou ter identificado outras vulnerabilidades que também podem ter sido utilizadas.

De acordo com a TRM Labs, os hackers conseguiram comprometer o sistema responsável por autorizar transferências de criptomoedas. A maior parte do roubo ocorreu em aproximadamente 20 minutos, por volta das 17h, no horário de Brasília.

Depois de desviar os ativos, os criminosos passaram a movimentar rapidamente os valores para dificultar o rastreamento e uma possível recuperação.