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"Povo acaba comprando ficções", diz escritor sobre Princesa Leopoldina

O escritor e historiador Paulo Rezzutti falou, em entrevista à Rádio Metrópole, na tarde desta quarta-feira (22), sobre seu livro "D. Leopoldina - A História Não Contada – A Mulher Que Arquitetou A Independência do Brasil", que detalha o papel da imperatriz do Brasil em todo o processo da independência. [Leia mais...]

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Foto : Divulgação

Por Matheus Morais no dia 22 de Março de 2017 ⋅ 12:48

O escritor e historiador Paulo Rezzutti falou, em entrevista à Rádio Metrópole, na tarde desta quarta-feira (22), sobre seu livro "D. Leopoldina - A História Não Contada – A Mulher Que Arquitetou A Independência do Brasil", que detalha o papel da imperatriz do Brasil em todo o processo da independência. Segundo Rezzutti, é preciso desmistificar a imagem de "mulher traída" atribuída à Leopoldina. 

"Esse livro faz parte de uma série que eu criei. A Leopoldina entra para história como a mulher traída. Eu resolvi pegar um foco do envolvimento dela com a independência do Brasil e também da viagem dela ao Brasil, que esse ano faz 200 anos. Eu consegui documentos inéditos dessa viagem, tem o desenho dessa viagem, o diário e as cartas da dama de companhia dela. Essa novela da Globo [Novo Mundo] pega um pouco disso, mas é ficcionado. O problema é que o povo acaba comprando as ficções que aparecem na televisão como realidade. A princesa Leopoldina vem para o Brasil iludida. O casamento dela, arranjado com Dom Pedro, era um bom negócio para a Áustria, um casamento de interesses", ressaltou. 

Segundo o historiador, Leopoldina se decepciona com o comportamento do marido com o tempo, gradativamente. "O Marquês de Marialva vende para ela um príncipe que não era verdadeiro. Ela se decepcionou com Dom Pedro ao longo dos anos. Não é uma coisa imediata. Ela também não tem a liberdade de ir e vir que tinha na Áustria, ela nao pôde conhecer o Rio de Janeiro. Ela só tinha a liberdade de sair acompanhada. Tinha lugares que ela era proibida ir para não ver o tráfico negreiro", contou. 

Rezzutti ressaltou que Leopoldina não era uma mulher feia. "A ossatura da Leopoldina condizia com uma pessoa "mignon", ela engordou no Brasil. Ela era uma mulher inchada, mas era uma pessoa bonita, as fotos é que não favoreciam", afirmou. Ele disse ainda que as traições de Dom Pedro contribuíram para que Leopoldina entrasse num processo depressivo. "Todo mundo tinha amante, mas o Dom Pedro não tinha. Ele não se importava com o que os outros faziam. O relacionamento escancarado do Dom Pedro com a Marquesa de Santos levou Leopoldina à depressão, o que contribuiu para a morte dela", resumiu. 

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