Brasil

Fabricante alemã de "ursinhos de goma" abre investigação sobre trabalho escravo no Brasil 

Fabricante alemã dos famosos ʹgummibärchenʹ, os ursinhos de goma, a Haribo anunciou que uma investigação interna vai apurar denúncias de que fazendas no Nordeste brasileiro estariam mantendo funcionários em condições análogas à escravidão na produção de ingredientes das balas de goma. [Leia mais...]

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Foto : Divulgação

Por Paloma Morais no dia 03 de Novembro de 2017 ⋅ 14:22

Fabricante alemã dos famosos ʹgummibärchenʹ, os ursinhos de goma, a Haribo anunciou que uma investigação interna vai apurar denúncias de que fazendas no Nordeste brasileiro estariam mantendo funcionários em condições análogas à escravidão na produção de ingredientes das balas de goma.

"Estamos chocados e assustados com os recentes relatos sobre o tratamento dado a trabalhadores de fornecedores de cera de carnaúba no Brasil, e esse comportamento é inaceitável", disse a empresa alemã em comunicado divulgado na última quinta-feira (2). "Encarregamos um grupo de auditores independentes, credenciados e certificados de conduzir uma investigação completa sobre nossa cadeia de fornecimento de cera de carnaúba e estamos esperando os resultados", acrescentou a Haribo.

A situação foi descoberta depois da veiculação de um documentário divulgado em outubro pela emissora alemã ARD, onde mostra que a cera de carnaúba usada para dar brilho às balas de goma da empresa, além de evitar que elas grudem entre si, é produzida por brasileiros que trabalham em condições péssimas no Nordeste do país. A cera de carnaúba é comprada de fazendas onde os trabalhadores recebem até 40 reais por dia para cortar as folhas que têm longas e pesadas foices, sob o sol e sem roupas adequadas. Além disso, a planta possui espinhos cortantes, que podem ferir os trabalhadores, e os locais de trabalho não têm banheiros e nem acesso a água filtrada.

A Haribo afirmou que usa "quantidades muito pequenas de cera de carnaúba" em alguns de seus produtos, mas confirmou que a cera foi "principalmente colhida e produzida em fazendas no Brasil"."Para a Haribo, os padrões de trabalho, sociais e éticos não são negociáveis nem ao nível de nossos fornecedores nem das suas operações, e essa sempre foi a nossa posição", disse o grupo.

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