Brasil

Grupo católico 'Arautos do Evangelho' é investigado por abuso psicológico e humilhações 

Em resposta, os religiosos repudiaram todas as acusações e se dizem ainda vítimas de perseguição

[Grupo católico 'Arautos do Evangelho' é investigado por abuso psicológico e humilhações ]
Foto : Reprodução/ TV Globo

Por Juliana Almirante no dia 21 de Outubro de 2019 ⋅ 08:40

O grupo católico "Arautos do Evangelho" é alvo de investigação do Ministério Público por abuso psicológico e humilhações em internatos na Serra da Cantareira, em São Paulo. O caso foi revelado em reportagem do Fantástico, da TV Globo, ontem (20). 

Foram ouvidas mais de 20 pessoas, entre ex-arautos e pais de crianças e adolescentes, que vivem isolados. Os relatos são de uma rotina de alienação, sem contato com o mundo exterior. A situação foi confirmada por laudos feitos a pedido do MP. 

Desde o início do ano passado, as denúncias ao Ministério Público foram feitas por 40 pessoas, na cidade de Caieiras, na região metropolitana de São Paulo, onde ficam os castelos do grupo. Também há relatos de assédio e estupro.

As mães ouvidas pelo Fantástico contam que começaram a desconfiar quando notaram uma mudança de comportamento nos filhos e afirmam que os Arautos estimulam o afastamento da família.

“Minha filha virou um robô. Minha filha não existe. Ela não tem amor pela gente, não tem carinho, não tem nada. Ela é um robô”, lamenta uma delas, que não quis se identificar.

Entre as 23 pessoas ouvidas pela reportagem, doze foram citadas no inquérito aberto no MP. Todas relatam situações parecidas. 

Para o Ministério Público, o Estatuto da Criança e do Adolescente não é respeitado pelos Arautos e nem mesmo a liberdade de ir e vir. 

O laudo aponta também violação de direitos previstos na Constituição, que comprometem a capacidade dos internos de se defenderem da violência praticada pelos superiores.

Em resposta, os religiosos repudiaram todas as acusações e disseram que o sistema de ensino que eles utilizam nos colégios segue o que é determinado pelo Ministério da Educação. 

Os Arautos se dizem ainda vítimas de perseguição: “Nós estamos diante de uma situação, de uma campanha de difamação feita por desafetos da instituição, desafetos da igreja em geral. Uma campanha de perseguição religiosa onde a igreja católica está em foco e a instituição em particular”.

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