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Secretário da Pesca diz que peixe é inteligente e 'sai de perto' com mancha de óleo

Bolsonaro completa: "Obviamente, de vez em quando, fica  uma tartaruga na mancha de óleo, para não falar que ninguém fica. Um peixe, um golfinho pode ficar, mas tudo bem".

[Secretário da Pesca diz que peixe é inteligente e 'sai de perto' com mancha de óleo]
Foto : Reprodução/Facebook

Por Juliana Almirante no dia 01 de Novembro de 2019 ⋅ 07:01

O secretário de Aquicultura e Pesca Jorge Seif Junior disse, em transmissão ao vivo nas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro ontemn (31), que a população não precisa se preocupar com a contaminação dos peixes com o óleo no Nordeste. 

Ele disse que já foram feitos inúmeros testes e nenhum peixe foi contaminado. Além disso, segundo ele, o Ministério da Saúde não registrou nenhuma notificação por conta do óleo. 

"Lembrando, pessoal, o peixe é um bicho inteligente. Quando ele vê uma manta de óleo, ele sai de perto, tem medo"

Bolsonaro completa: "Obviamente, de vez em quando, fica  uma tartaruga na mancha de óleo, para não falar que ninguém fica. Um peixe, um golfinho pode ficar, mas tudo bem. Estamos fazendo o possível, as investigações prosseguem e são complexas e a gente vai chegar a um ponto final. Não posso garantir se vai ter ponto final, a gente vai descobrir, mas está mais do que provado pela Universidade Federal da Bahia, que o petróleo é da Venezuela".

O presidente ainda disse, no início da transmissão, que a pesca tem papel excepcional no governo. Inclusive, ele afirmou que, se soubesse disso no início do mandato, não teria extinto o Ministério da Pesca. 

"Confesso: se eu soubesse, com detalhes, o potencial da nossa pesca e de Jorge, teria deixado o ministério da pesca em vigor, afinal de contas, traz divisa pra gente, é uma área bastante ampla. A pesca é muito mais do que a gente pensa, muitas vezes", afirmou.

Recuo

O Ministério da Agricultura chegou a proibir a pesca de camarão e lagosta em algumas áreas do Nordeste, mas voltou atrás e liberou, um dia depois. A proibição iria vigorar a partir de hoje e também atingiria a Bahia. 

De acordo com reportagem do Estadão, o governo federal não apresentou relatórios técnicos que motivaram a decisão de recuo.

Apesar da declaração do secretário Jorge Seif Junior, pesquisadores têm alertado para riscos de contaminação em peixes e frutos do mar. Um estudo da Universidade Federal da Bahia (Ufba) já apontou resquícios de contaminação nesses animais.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que os exames laboratoriais conduzidos pelo Ministério da Agricultura ainda estão em andamento e somente quando tiverem resultados será possível avaliar o risco e a segurança para o consumo de camarão e lagosta.

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