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Jornalista comenta bolsonarismo e diz que igreja evangélica 'se afastou da mensagem de Jesus'

Em 'E a verdade os libertará', Ricardo Alexandre aponta fragilidades da igreja evangélica brasileira

[Jornalista comenta bolsonarismo e diz que igreja evangélica 'se afastou da mensagem de Jesus']
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 21 de Setembro de 2020 ⋅ 08:58

O jornalista e vencedor do Prêmio Jabuti Ricardo Alexandre lançou neste ano o livro 'E a verdade os libertará', pela editora Mundo Cristão, onde se propõe a comentar o surgimento do bolsonarismo e os principais problemas da igreja evangélica neste ano. Em entrevista a Mário Kertész hoje (21), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, ele afirma ser cristão de natureza evangélica e conta que o livro nasceu da observação de pessoas que confiava, boas e justas, conselheiros e amigos, e que começaram a se engajar na campanha de 2018, espalhando notícias falsas e rompendo laços de amizades e familiares. 

"Comecei a observar que havia uma força cultural ou espiritual que tivesse contaminando pessoas justas e boas. Comecei a pesquisar o tema, comecei a observar mais o tema. Entendi que havia uma construção religiosa em torno desse político Jair Bolsonaro, que viria a se tornar presidente do Brasil. Continuei observando isso no primeiro ano de mandato e como se deu essa construção do personagem Jair Bolsonaro como um personagem religioso", afirmou o escritor. "O livro é sobre as fragilidades da igreja evangélica brasileira, teologicamente e doutrinariamente falando, o quanto ela se desvia da própria Bíblia e quanto ela é frágil a ponto de sucumbir a uma coisa que é um marketing político travestido de concepção religiosa", conta.

Ricardo Alexandre reconhece a força da igreja evangélica nos últimos, mas aponta como ela se desvirtuou da palavra bíblica para atender aos anseios políticos. "Os evangélicos veem se tornando nos últimos 50 anos um demográfico indisfarçável e impossível de driblar. Visitar uma igreja evangélica, sentar com um pastor da Assembleia de Deus e comer pastel na feira são coisas que nenhum político pode se furtar a fazer nos últimos tempos. A grande diferença não é a dança do lobby. Ele existe e é legítimo, é do jogo democráticos. Tivemos dois presidentes evangélicos, o Café Filho e Geisel. A diferença é que a gente tem pela primeira vez um político que participa de eventos evangélicos e se diz cristão. Um político que usa o nome de Deus como slogan de campanha. Um presidente que é chamado de profeta por um ministro que é evangélico. Pela primeira vez temos um presidente cujos profetas de igrejas carismáticas asseveram o nome de Deus como se ele tivesse mandando votar nesse político para que o Brasil tenha um crescimento", narra.

Questionado por MK qual o principal tema do livro, Ricardo aponta que a narrativa central se baseia na igreja evangélica e suas concepções. Na avaliação do jornalista, ele afirma que a unidade religiosa não segue mais os preceitos bíblicos. "O personagem principal é a igreja evangélica, que vem se preparando e se afastando da mensagem de Jesus e dos apóstolos para acreditar em qualquer historinha. Esse é o personagem, uma igreja que tem pouco conhecimento bíblico e pouco respeito pela mensagem dos apóstolos. Acredita mais em Malafaia do que em Jesus, Pedro ou Paulo. É uma igreja em que é ensinado a não questionar seus líderes, porque não pode tocar no ungido do Senhor. Isso é muito diferente do que a Bíblia ensina e eu mostro isso no livro", afirma o autor.

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