Segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Cidade

Após repercussão, polícia adianta depoimento de criança em denúncia de racismo no Atacadão 

Segundo informações do advogado Ivonei Ramos, a autoridade policial já fez a revisão das imagens da câmera de segurança, que não foram liberadas para a mãe da vítima quando requisitado

Após repercussão, polícia adianta depoimento de criança em denúncia de racismo no Atacadão 

Foto: Reprodução

Por: Geovana Oliveira no dia 08 de dezembro de 2021 às 13:05

A Polícia Civil adiantou para esta quinta-feira (9) o depoimento do menino de 8 anos vítima de um suposto caso de racismo no Atacadão, em Salvador, depois da repercussão alcançada pelo caso nos últimos dias. A oitiva acontecerá às 10h, e a mãe da criança, Vitória Dimas, de 22 anos, também será ouvida. 

Segundo informações do advogado Ivonei Ramos, a autoridade policial já fez a revisão das imagens da câmera de segurança, que não foram liberadas para a mãe da vítima quando requisitado, e a defesa deve ter acesso ao vídeo ainda na quinta-feira. 

"Como se trata de uma criança, ela ocupa a sala especial com uma pessoa capacitada para ouvir o menor, assim como a mãe vai ser ouvida", explica Ivonei. "Após ser ouvido, com a exibição das imagens, a gente vai ingressar com a ação, ainda não se sabe de que forma vai ser tipificado o crime". 

De acordo com Vitória, o seu filho foi abordado por uma funcionária do estabelecimento, que, ao ver a criança com um pacote de macarrão instantâneo nas mãos, perguntou se ele ia pagar pelo produto ou se iria roubá-lo.

Após a situação, a garçonete Vitória Dimas, de 22 anos, solicitou acesso às imagens da câmera de segurança do local, mas o gerente, identificado com o nome de  Paulo Vinícius, não teria permitido. A situação aconteceu no dia 30 de novembro (mês da Consciência Negra), por volta das 20h. Um boletim de ocorrência foi registrado no mesmo dia.

OUTRO LADO

Procurado pela reportagem do Metro1, o Grupo Carrefour, empresa que administra o Atacadão, disse que "tomou conhecimento do caso" e iniciou "rigorosa apuração interna e está buscando contato com a cliente para qualquer tipo de suporte". A rede disse ainda que "reitera o seu compromisso com políticas sérias de diversidade e repudia veementemente qualquer tipo de discriminação".

O Grupo Carrefour esteve envolvido em um caso grave de racismo às vésperas do dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra, em 2020. Foi em uma loja da rede, no Rio Grande do Sul, que João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, foi espancado até a morte por seguranças da loja.

Após repercussão, polícia adianta depoimento de criança em denúncia de racismo no Atacadão  - Metro 1