Quinta-feira, 19 de maio de 2022

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Pai critica falta de cuidado de hospital em atendimento a filho autista

Após publicação nas redes sociais e a repercussão negativa, Hospital Aliança enviará médico para atendimento domiciliar

Pai critica falta de cuidado de hospital em atendimento a filho autista

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Por: Geovana Oliveira no dia 17 de janeiro de 2022 às 15:28

Vinícius completa 17 anos nesta segunda-feira (17). Um dia antes das comemorações, no entanto, o jovem sofreu um acidente. Na noite de domingo, ele se desequilibrou ao se apoiar em um quadro de avisos do prédio onde mora, quebrou o vidro e cortou a mão. Foram vários ferimentos superficiais na parte externa da mão e um corte bem profundo na região do pulso. 

Em um caso comum, apesar da preocupação dos pais, o procedimento seria simples: acesso ao hospital, sutura, curativo, medicamento e repouso. Mas Vinícius, autista severo, não conseguiu ser atendido no Hospital Aliança. 

O pai do menino, Leonardo Martinez, vice-presidente da Associação de Amigos do Autista da Bahia (AMA-BA), utilizou as redes sociais nesta segunda para denunciar o despreparo do hospital particular ao lidar com pessoas dentro do espectro autista. 

"Me dirigi até o Hospital Aliança, para a parte pediátrica primeiro, pediram para levar ele para a emergência adulta, porque tinha cirurgião. Mas quando ele chegou na parte da frente da emergência, para entrar para os consultórios, ele identificou a emergência e não quis entrar", conta Leonardo ao Metro1

O pai do menino solicitou à enfermeira da triagem, explicando que o filho é autista severo, que fizesse o atendimento na parte da frente da emergência. Leonardo insistiu após a enfermeira dizer que não podia realizar o procedimento fora do local.  

"Eu expliquei que entendo os protocolos, mas que isso não pode superar a lei. Se ele não for atendido, é um caso de recusa de socorro", explica. 

O que ocorreu depois foi ainda mais assustador. Segundo o vice-presidente da AMA, o médico apareceu na frente da emergência, onde Vinícius estava dentro do carro do pai. "Eu não sabia se ele estava com mais medo do meu filho ou meu filho dele", desabafa. O atendimento foi feito em minutos. 

"Sem nenhum tipo de técnica de aproximação, nem nada. Ele me deu os suprimentos de primeiros socorros e me orientou a fazer e pronto, saiu. Nem tocou em meu filho. Ele fazia movimentos típicos de autismo. Não me deu nenhuma opção de tentar fazer nada, ele fez o que qualquer pessoa faria na rua sem técnica", conta Leonardo. 

O pai precisou voltar para casa e realizar o atendimento sozinho. "Meu medo todo é que se fosse algo mais grave, uma fratura exposta, ou um acidente cardiovascular, com esse preparo que o hospital mostrou, o que aconteceria com meu filho?", diz. 

Após publicação nas redes sociais e a repercussão negativa, o diretor do Hospital Aliança, Dr. Raimundo Paraná, fez contato com a família, pediu desculpas pelo ocorrido e prometeu enviar um médico na casa de Leonardo para fazer uma avaliação dos ferimentos na mão de Vinícius. 

"Retornar com meu filho para uma reavaliação em loco no hospital, logo depois do ocorrido de ontem, poderia gerar mais sofrimento para ele. Eu agradeci a retratação do hospital e me coloquei e também coloquei a AMA à disposição para contribuir na futura qualificação da equipe do hospital", conclui o pai.

Procurado pelo Metro1, o Hospital Aliança afirmou que está apurando internamente o que ocorreu no caso. (Veja nota na íntegra abaixo).

Prezado(a) editor(a),
O Hospital Aliança informa que está apurando internamente o que ocorreu no caso citado do adolescente com autismo. Por princípio, a instituição acolhe em atendimento todos os pacientes, sem distinção, procurando se adequar da melhor forma nos casos de pessoa com deficiência e/ou pessoa com necessidades especiais.
 
Atenciosamente,
Hospital Aliança

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