Quinta-feira, 12 de maio de 2022

Cidade

Impasse na venda de terrenos atravanca acordo entre rodoviários e prefeitura de Salvador

Secretário diz que rodoviários não receberam R$ 54 milhões em verbas rescisórias, mas nega responsabilidade

Impasse na venda de terrenos atravanca acordo entre rodoviários e prefeitura de Salvador

Foto: Leitor Metro1

Por: Tailane Muniz no dia 24 de janeiro de 2022 às 13:18

Uma dívida de R$ 54 milhões em verbas rescisórias e duas versões para um mesmo acordo permeiam a relação entre o Sindicato dos Rodoviários e a prefeitura de Salvador. Secretário de Mobilidade Urbana, Fabrizzio Muller diz que a responsabilidade do pagamento é da extinta Concessionária Salvador Norte (CSN). Segundo ele, o valor era ainda maior, mas, à época, o prefeito Bruno Reis (DEM) recolheu R$ 20 milhões que a empresa tinha em créditos e adiantou parte do pagamento.

O restante, contudo, depende da venda de terrenos que, salienta o secretário, não são de responsabilidade da gestão. O processo deve ser realizado por meio de um leilão judicial. Embora não tenha ciência do valor exato, Muller afirma que corresponde ao suficiente para dar fim ao débito. 

Na semana passada, motoristas e cobradores atrasaram a saída de 60 linhas, das operadoras OT Trans e Plataforma, com a intenção de sinalizar urgência à prefeitura.  À reportagem, Muller explica que a prefeitura se esforça para comercializar as propriedades, mas afasta qualquer responsabilidade quanto ao pagamento da dívida. "O que eles [rodoviários] fazem é injusto com a cidade, porque há um grande esforço nesse sentido, mas é uma cobrança injusta porque não temos gestão sobre essa venda", comenta o secretário, ao afirmar que a prefeitura, para evitar uma demissão em massa e prejudicar o transporte público, contratou por meio de Regime Especial de Direito Administrativo (Reda) 2,6 mil funcionários da CSN, que atendia à demanda da orla da capital.

Vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Fábio Primo diz ter entendimento de que o valor das verbas depende da venda dos terrenos, mas salienta que Bruno Reis assumiu um compromisso com a categoria - que reivindica também o aumento da frota de ônibus, que hoje opera com 1,7 mil coletivos. "Tudo depende de vontade, a prefeitura precisa se empenhar um pouco mais [para vender os terrenos] e também para aumentar o efetivo porque será inviável [operar com a frota atual] com o retorno das aulas".

Primo afirma que dos ex-funcionários da CSN, 800 continuam sem trabalhar - informação que diverge do que diz a prefeitura, quando alega ter contratado a totalidade. A gestão municipal também nega que haja necessidade de aumentar a frota, sob a justificativa de que há um déficit de seis milhões de passageiros pagantes. "A gente tinha um número equivalente a 20 milhões [de passageiros] mensais, hoje temos 14 milhões", comenta ele, ao justificar que o orçamento público, sozinho, não consegue custear os gastos do transporte.

O sindicato, por sua vez, critica o modelo de gestão das empresas. Nas palavras de Fábio Primo, os empresários não têm nem nunca tiveram interesse em adequar a frota, pois o que chega como benefício para os passageiros retorna para eles como prejuízo.
 

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