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Centro Histórico de Salvador amarga esvaziamento, mas é 'terra fértil' para novos empreendimentos

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Centro Histórico de Salvador amarga esvaziamento, mas é 'terra fértil' para novos empreendimentos

Desde 2021, 40% dos comércios no local foram fechados, segundo a Associação do Centro Histórico Empreendedor

Centro Histórico de Salvador amarga esvaziamento, mas é 'terra fértil' para novos empreendimentos

Foto: Matti Blume /Wikimedia Commons

Por: Luísa Carvalho no dia 09 de maio de 2023 às 13:00

O ator Érico Brás, dono do Restaurante Ó Paí, Ó, no Terreiro de Jesus, lamentou a situação do Centro Histórico de Salvador em uma postagem nas suas redes sociais no último mês. A “falta de segurança e o abandono” o levaram a demitir um grupo de funcionários. 

O Restaurante Feijão da Alaíde, ponto gastronômico e cultural do Pelourinho, fez um coro emocionado ao apelo do artista. Continuar com as portas abertas tem sido um desafio diário para o empreendimento. Para o Bar das Preta, no Dois de Julho, o atual cenário foi fatal. O bar se despediu dos seus clientes no final de março.

Nos últimos anos, o Centro Histórico amarga um esvaziamento. Desde 2021, 40% dos comércios no local foram fechados, segundo a Associação do Centro Histórico Empreendedor (ACHE). No entanto, as medidas implementadas (ou ainda serão adotadas) pela prefeitura de Salvador e pelo governo do estado têm o potencial de revigorar a região.

Recentemente, a gestão municipal anunciou a criação da uma prefeitura-bairro. Também ampliou o número de guardas-municipais e estuda criar um Centro de Convenções. Já o governo vai aumentar o efetivo de policiais militares para garantir segurança.

Ao Metro1, a Secretaria de Cultura do estado alegou já desenvolver diversas ações na região, através do Centro de Culturas Populares e Identitárias, como o projeto Pelô da Bahia e a Casa Cultura do Idoso. Já a Secretaria de Turismo declarou trabalhar na promoção e no apoio a eventos culturais, gastronômicos, musicais, religiosos e na área social na região. Sobre a insegurança, o subsecretário da Segurança Pública, Marcel Oliveira, disse que ações diárias têm sido realizadas constantemente no Centro Histórico.

Falta de incentivo

O esvaziamento do Centro Histórico, segundo os empresários, é resultado da falta de incentivo tanto para que o espaço seja frequentado, quanto do pouco apoio a quem empreende. As reclamações são de que o poder público só pensa no Centro de Salvador durante o verão. 

O temor é de que a situação atual reduza o Centro Histórico a estigmas e acabe afastando as pessoas da região. “A segurança pode ser a nossa principal demanda do momento, mas o Pelourinho não é só isso”, ressaltou a empresária Mônica Tavares, que administra os restaurantes Malembe, fechado temporariamente, e Roma Negra, funcionando apenas mediante reserva. 

Trabalhadores da região destacam o potencial de inovação e a qualidade dos serviços turísticos, culturais e gastronômicos prestados. O Centro é considerado um terreno fértil para o afro-empreendedorismo. “Salvador, hoje, consegue ter um capital intelectual extraordinário em vários setores. Tecnologia, moda, gastronomia, a gente produz o ano inteiro e consegue prender a atenção do turismo doméstico e internacional em qualquer época”, disse a empresária.