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“O que aconteceu e o que é que vai ser aqui?”: População questiona futuro do Odorico Tavares, 5 anos após o fechamento do colégio

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“O que aconteceu e o que é que vai ser aqui?”: População questiona futuro do Odorico Tavares, 5 anos após o fechamento do colégio

Repórter Metropole esteve no Corredor da Vitória para ouvir a população sobre o fechamento do Colégio Estadual Odorico Tavares há cinco anos

“O que aconteceu e o que é que vai ser aqui?”: População questiona futuro do Odorico Tavares, 5 anos após o fechamento do colégio

Foto: Reprodução

Por: Júlia Lordelo no dia 11 de abril de 2024 às 19:53

Atualizado: no dia 11 de abril de 2024 às 20:17

“O que aconteceu e o que é que vai ser aqui?”. O questionamento de Joacir Couto em relação ao fechamento do Colégio Estadual Odorico Tavares, localizado no Corredor da Vitória, é o mesmo que o de vários soteropolitanos. Joacir trabalha há 30 anos na região, que é considerada o metro quadrado mais caro de Salvador, e resumiu como era a instituição quando inaugurada: “Funcionou bem, com vários alunos, em um espaço muito bom e cobiçado por quem quer um empreendimento”.

Em dezembro de 2019, foi decretado o fim do Odorico Tavares. Mais de cinco anos após o fechamento pelo então governador Rui Costa (PT), a área onde funcionou por 25 anos o famoso colégio permanece com o futuro indefinido e sob a sombra de um possível leilão.

Rubenice Maria estudou no Odorico e voltou ao local no dia 26 de março na tentativa de obter o histórico escolar e retornar aos estudos. Ela não sabia, mas o colégio havia encerrado as operações. Coincidentemente, Rubenice encontrou a equipe do Repórter Metropole no momento e relatou a tristeza em se deparar com o espaço que tanto a serviu, abandonado. “Eu pensei que estava funcionando. Tinha tudo… sala de computação… tudo para estar aberto e está fechado”, contou.

O Odorico Tavares foi um dos colégios modelo construído na gestão de Antônio Carlos Magalhães (ACM). Por anos, havia disputa por vaga na instituição, que na época do fechamento só atendia a 9% da capacidade total de estudantes. Professores e ex-alunos acusam o poder público de ter criado obstáculos no processo de matrícula e sucateado a instituição para dar vez à especulação imobiliária. 

Em maio de 2017, a Metropole denunciou o estado em que o colégio se encontrava, após constatar que “a lista de qualidades [do Odorico] havia ficado só na memória”. Na reportagem, alunos relataram os desafios enfrentados por quem frequentava a instituição. 

“Aonde você vai, é limo nas paredes. No banheiro, a descarga é toda despencada, o vaso não tem tampa, muitas vezes ainda falta água. E eles abafam, escondem a condição em que a escola está. É capaz de, daqui uns dias — Deus é mais — descer a escola toda com essas chuvas”, disse Maiana Conceição na época.

Maiana ainda contou que o espaço, que já havia passado pelo desabamento do teto da quadra, estava abrigando ratos. “Ali embaixo, perto da cantina, tem um lado onde a gente senta, que dá para uns matos e tem muito rato. A professora até tirou foto para mostrar para a Secretaria de Educação”, afirmou.

Antes do colégio perder parte do status construído com a estrutura e ensino de excelências, Solange Barreto conta que ele teve papel importante na inclusão de trabalhadoras domésticas ao ambiente escolar. Solange relatou que as aulas no período noturno permitiam que elas saíssem dos prédios onde trabalhavam e fossem à instituição.
      
Quando o Odorico foi fechado, havia a promessa de que o valor arrecadado seria investido na construção de outras escolas em diferentes bairros da cidade. O governador Jerônimo Rodrigues, em dado momento, cogitou leiloar o prédio este ano, mas, em meio a críticas à venda de áreas verdes pelo grupo adversário, a decisão foi adiada.

Assista ao Repórter Metropole: