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Emaranhados de fios em postes de Salvador e RMS trazem transtornos e preocupação para população

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Emaranhados de fios em postes de Salvador e RMS trazem transtornos e preocupação para população

População pede melhorias e engenheiro eletricista orienta como evitar acidentes com fios frouxos e caídos nas ruas

Emaranhados de fios em postes de Salvador e RMS trazem transtornos e preocupação para população

Foto: Leitor Metro1

Por: Laisa Gama e Mariana Bamberg no dia 22 de abril de 2024 às 16:48

Uma sequência de fotos enviadas por um ouvinte da Metropole, nesta segunda-feira (22), mostra o que os baianos já estão acostumados a ver diariamente: um emaranhado de fios cortando as ruas e avenidas por meio dos postes da Neoenergia Coelba (Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia). Nas imagens encaminhadas, a Avenida Luiz Tarquínio Pontes, uma das mais movimentadas de Lauro de Freitas, é cortada por dezenas de cabos e fios que se aglomeram em uma mesma estrutura. O cenário, já denunciado pelo Jornal Metropole, permanece trazendo não só incomodo visual, mas também causando preocupação à população, principalmente neste período de chuva frequente.

As imagens foram enviadas meses após o governo federal anunciar a criação da Política Nacional de Compartilhamento de Postes, que visa organizar os fios em postes nas cidades brasileiras, para que os cabos e equipamentos sejam instalados de forma a reduzir riscos à população e minimizar a poluição visual dos emaranhados. A portaria ainda deve passar por uma regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). 

Enquanto a regulação segue sem prazo para ser feita, moradores reclamam e relatam preocupação com os emaranhados espalhados em diversos bairros de Salvador e Região Metropolitana, principalmente nas localidades mais periféricas. É o caso de Ana*, que contou ao Metro1 ver constantemente fios caídos pelas calçadas na região de Pernambués. "Eu estou vendo a hora de acontecer um acidente. Eu não tenho medo nem de ladrão, eu tenho medo é dos fios elétricos", diz ela, ao explicar que prefere andar fora das calçadas e longe dos fios, para evitar que possa ser atingida por fiações soltas.

No mesmo bairro de Ana, Joel Santos, de 52 anos, também critica a quantidade de fios espalhados e diz ser "péssimo morar em uma cidade assim". Ele ainda relembra um acidente que teria acontecido nas imediações da Avenida Thomaz Gonzaga, após um caminhão de grande porte ter esbarrado nos fios frouxos de postes da região.

Engenheiro eletricista e conselheiro do Crea-BA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia), Maurício Rosa explica os riscos desse acúmulo de fios e cabos. O primeiro deles é a possibilidade do poste cair por conta do peso da fiação. “Um poste foi dimensionado para aguentar um esforço X, se ele recebe algo maior do que isso, ele pode não aguentar, quebrar e causar um acidente”, alerta. Além disso, os fios frouxos podem ficar a uma altura menor do que a determinada pela regulamentação, que é de 6 metros, e causar também acidentes com motociclistas e veículos, como o relatado por Joel. Quando o fio é de internet, no geral, ele é de baixa tensão, mas pode estar ligado a um de alta tensão e causar uma eletrocução.

 Por isso, as orientações do engenheiro são: não tocar em cabos frouxos ou caídos no chão e acionar a Coelba ou Corpo de Bombeiros para fazer a retirada com equipamento adequado; evitar passar por debaixo dos fios pendentes; e respeitar 2,5 metros para distância da rede elétrica para construir.

Fiscalização nos postes

Para o pintor Valdecir Souza, de 52 anos, o que chama atenção é a falta de “mecanismos de fiscalização” para a distribuição e instalação dos fios nos postes. "Por que a Coelba aceita isso? Essa fiação que tem aí a Coelba não ia aceitar de graça. Vem internet, vem telefonia. Será que ela não sabe disso? Começa a poluir a cidade por conta disso. Eles precisam resolver isso junto com a prefeitura para deixar de ser assim", pede.

O engenheiro explica que a questão da fiscalização é uma faca de dois gumes: a Coelba precisa acompanhar os fios instalados, já que o poste é sua propriedade e responsabilidade, mas, como são muitas empresas de internet e telefonia, a empresa não consegue dar conta. Segundo a Resolução Conjunta ANEEL/ANATEL nº 4, a distribuidora tem “o papel de zelar para que o compartilhamento de postes mantenha-se regular às normas técnicas, mantendo equipes técnicas exclusivamente dedicadas a esse serviço". 

Em nota, a Neoenergia Coelba afirma que executa no estado um plano preventivo de manutenção em todo o sistema elétrico. Segundo a distribuidora, somente em 2023, 70 mil quilômetros da rede elétrica foram percorridos para manter as estruturas e garantir a segurança no fornecimento de energia aos baianos. Além disso, a empresa diz realizar inspeções e fiscalizações para minimizar problemas relacionados aos fios de operadoras de telefonia e internet. No ano passado, mais de 268 toneladas de cabos irregulares foram retiradas das empresas de telecomunicações.