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Fim de cartão de ônibus prejudica idosos de Salvador, que ficam amontoados

Desde o dia 15 de agosto, a aposentada Ivone Santos, de 82 anos, não pode mais usar o cartão do idoso, que garantia o acesso de pessoas com mais de 65 anos nos ônibus de Salvador [Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 25 de Agosto de 2016 ⋅ 06:00

Desde o dia 15 de agosto, a aposentada Ivone Santos, de 82 anos, não pode mais usar o cartão do idoso, que garantia o acesso de pessoas com mais de 65 anos nos ônibus de Salvador. O recurso foi implantado pela Prefeitura em junho, mas foi cancelado após a Justiça acatar uma ação civil da Defensoria Pública da Bahia e do Ministério Público Estadual, considerando o cartão restritivo. 

Desde então, os 147 mil usuários que possuíam a carteira entram nos ônibus apresentando a identidade, mas ficam impedidos de passar pela catraca e acabam aglomerados na parte da frente do veículo — o que é, evidentemente, um transtorno para idosos. 

Listando os prejuízos causados pela suspensão do cartão, Dona Ivone afirma que a mudança não agradou aos aposentados. “É ruim. Com o cartão, a gente passava na catraca. Com a identidade, a gente só fica aqui na frente”, disse. 

Transtorno inadmissível para idosos: “E o motorista nem quer abrir a porta”
Sem o cartão, os idosos passaram a ter acesso pela porta do meio, caso os assentos antes da catraca estejam ocupados. Mas segundo João Ferreira, de 76 anos, nem todos os motoristas permitem e o processo acaba causando mais incômodo, já que é preciso apresentar o RG na porta dianteira, descer e subir novamente pela porta do meio.

“É muito ruim. A gente entra, mostra a identidade, na maioria das vezes não tem lugar para sentar ou o motorista não quer abrir a porta para a gente entrar. Alguns permitem, mas outros criam problema”, reclama. E, infelizmente, os ônibus são o retrato da falta de educação do baiano. “Ninguém dá lugar para sentar. Ou a gente espera de pé aqui na frente ou fica nesse sobe e desce de escada”, desabafa João.

Medida impacta também no trânsito
Se os idosos reclamam da falta de educação de motoristas de ônibus, os trabalhadores afirmam que também são contrários à mudança. Um cobrador afirmou à Metrópole que a extinção do cartão prolonga o tempo de embarque, aumentando os engarrafamentos em Salvador.

“Dá muito mais trabalho. A gente tem que ficar orientando. Tem pessoa que não quer descer e a gente perde bastante tempo [nos pontos de ônibus]. Atrasa bastante”, afirmou. Um motorista que pediu anonimato questionou a “resistência do idoso” em cumprir a nova regra.  “A gente organiza quando estamos no ponto. Às vezes atrasa a saída. E também tem quem, às vezes, não queira dar o lugar a idosos com deficiência de se locomover”, falou.

Solução? responsabilidade da Semob
Segundo a subcoordenadora da Defensoria Especializada de Proteção ao Idoso, Laise Carvalho, a Secretaria de Mobilidade (Semob) precisa criar uma nova logística para o bom acesso dos idosos. “A decisão judicial foi no sentido de assegurar o acesso irrestrito. Com relação à operação, cabe à secretaria e às empresas fazerem isso”, explica. 

A Semob afirmou à Metrópole que continua respeitando os 10% de assentos exigidos pelo Estatuto do Idoso e que fiscaliza as empresas para facilitarem a entrada pela porta do meio.

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