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Intervenções da CCR nas passarelas afrontam padrão da capital; especialistas criticam

Qualquer estudante de arquitetura já ouviu falar sobre João Filgueiras Lima, o Lelé, arquiteto e urbanista responsável por obras de grande importância histórica e cultural em Salvador, como o Palácio Thomé de Souza, o Centro Administrativo da Bahia, o prédio do Tribunal de Contas da União, o Hospital Sarah, as escadarias drenantes e as passarelas [Leia mais...]

Intervenções da CCR nas passarelas afrontam padrão da capital; especialistas criticam

Foto: Tácio Moreira/Metropress

Por: Bárbara Silveira no dia 18 de maio de 2017 às 08:47

Atualizado: no dia 18 de maio de 2017 às 08:47

Qualquer estudante de arquitetura já ouviu falar sobre João Filgueiras Lima, o Lelé, arquiteto e urbanista responsável por obras de grande importância histórica e cultural em Salvador, como o Palácio Thomé de Souza, o Centro Administrativo da Bahia, o prédio do Tribunal de Contas da União, o Hospital Sarah, as escadarias drenantes e as passarelas.

Se nas salas de aula as linhas de Lelé são veneradas, na prática, o padrão estético do urbanista é constantemente desrespeitado pela CCR Metrô, responsável pelas obras do metrô de Salvador. Antes da CCR, Salvador convivia harmonicamente com passarelas no estilo concreto armado, mas, após as intervenções, a cara e a funcionalidade do equipamento mudaram — e para pior.

Professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), José Fernando Minho pesquisa as obras e o estilo de Lelé e discorda das modificações feitas nas passarelas. “Principalmente, há um desrespeito com a cidade. As pessoas não têm mais cuidado com o espaço urbano”, criticou.

Pesquisador se afastou por discordar
Quando falou ao Jornal da Metrópole, na última terça-feira (16), Fernando Minho estava na Suiça, onde participaria de um trabalho sobre uma das especialidades de Lelé: argamassa armada. Na ocasião, ele lembrou que se afastou do projeto de revitalização das passarelas por discordar das modificações feitas pela CCR.

“A empresa fez mudança das dimensões, largura e relativas ao piso e cobertura. Nós chamamos a atenção deles que as passarelas que foram construídas na Av. Paralela para ligar o estádio [de Pituaçu] aos pontos de ônibus já têm largura suficiente. Mas, na época, foi considerado que precisava ajustar o padrão construtivo. Fui contra e, inclusive, me distanciei da questão”, disse.

Uma série de erros
Quem passa pela região do Detran já nota a diferença na paisagem. Com estrutura em aço, as novas passarelas possuem ainda cobertura diferente — e menos eficaz contra o calor. Professor da Ufba e membro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia, o arquiteto Paulo Ormindo analisou as mudanças e apontou uma série de erros.

“Ela tenta imitar a de Lelé. Não sou radical a ponto de dizer que não pode ser mudada a largura, pois em muitos casos vai ter que atender a uma demanda maior, mas poderia ter sido feita com a tecnologia e os padrões das de Lelé. Me parece que foram colocadas rampas com uma declividade menor, mas elas não viabilizam um cadeirante sozinho poder galgar o nível de embarque na estação”, observou.

CCR diz que teve aval da prefeitura
Responsáveis pelas modificações, a CCR Metrô Bahia e o Consórcio Mobilidade Bahia afirmaram que as modificações tiveram o aval da Prefeitura. “[O projeto] Mantém a essência do modelo existente em Salvador, inserindo as adequações exigidas pela legislação de mobilidade e acessibilidade. As novas passarelas serão mais largas e protegidas com gradil e terão maior segurança para pedestres e motoristas, com câmeras de monitoramento e piso tátil”, argumentou.

Mas a necessidade é rebatida por especialistas como Fernando Minho, que cita como exemplo de respeito às linhas de Lelé e adequação de tamanho as passarelas em frente ao Estádio de Pituaçu. “Eu nunca vi necessidade de mudar os padrões. As passarelas estão aí funcionando bem há 30 anos”, afirmou o especialista.