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Corte em repasse fecha Ponto de Cidadania; iniciativa dava dignidade a pessoas de rua

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Corte em repasse fecha Ponto de Cidadania; iniciativa dava dignidade a pessoas de rua

O fechamento dos Pontos de Cidadania, equipamentos que davam dignidade e humanidade à população em situação de rua em Salvador, causou indignação na comunidade especializada [Leia mais...]

Corte em repasse fecha Ponto de Cidadania; iniciativa dava dignidade a pessoas de rua

Foto: Tácio Moreira/Metropress

Por: Felipe Paranhos no dia 08 de junho de 2017 às 08:03

Atualizado: no dia 08 de junho de 2017 às 08:12

O fechamento dos Pontos de Cidadania, equipamentos que davam dignidade e humanidade à população em situação de rua em Salvador, causou indignação na comunidade especializada. O projeto, que foi idealizado em 2012 e ganhou nova roupagem em 2014, teve seu encerramento anunciado da noite para o dia, surpreendendo as equipes que trabalhavam com usuários de drogas e pessoas que viviam na região da Praça da Mão, no Comércio, e nas Sete Portas — onde ficavam as equipes e os contêineres com um chuveiro, um sanitário e uma pequena sala, nos quais eram feitos alguns dos atendimentos.

O fundador do Centro de Estudos e Terapia de Abuso de Drogas da Universidade Federal da Bahia (Cetad-Ufba) e uma das maiores autoridades do país no assunto, Antônio Nery, lamentou a medida. “Levamos dezenas de pessoas ao hospital para cirurgias, para fazer tratamento de câncer — e eu estou falando de pessoas de rua, pessoas com absoluta desvalia. Nós vimos estas pessoas, nos aproximamos delas, levamos aos hoteis sociais, mas o governo da Bahia não recebeu o milhão e pouco que deveria da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas”, explicou.

“A mesma crise de são paulo, mas em silêncio”
De acordo com Nery, a situação de São Paulo, com internações forçadas na Cracolândia, assemelha-se à que se vive aqui, “mas em silêncio”. “Simplesmente as duas equipes foram avisadas que não poderiam mais trabalhar. Estou capitaneando uma desobediência civil. Vamos trabalhar na praça com essas pessoas por uma questão ética, porque essas pessoas não podem ser abandonadas da noite pro dia. Tivemos quatro anos fazendo uma relação afetiva, amorosa, com essas pessoas. É duro de entender, mas não tem como entender”, lamenta.

“Aumento de crimes e mortes”
Nery afirmou que, com a saída das equipes das duas regiões, a criminalidade deve crescer. “Vai haver o aumento do tráfico, vamos ter mais assaltos, vão aumentar as mortes naquela região, porque teremos uma reação de uma população que estava sendo acolhida e chegando àquilo que queríamos”, disse, referindo-se à dignidade da população de rua.

O Jornal da Metrópole esteve nas Sete Portas esta semana e já sentiu uma diferença — pra pior — em relação à última vez em que tratamos do assunto, em 30 de maio de 2016.