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Prefeitura não prova ofício do governo por retirada de ônibus do CAB, mas mostra que informou mudança
A grande polêmica da semana passada em Salvador foi a retirada dos ônibus de dentro do Centro Administrativo da Bahia (CAB). A medida foi posta em prática logo após a inauguração das quatro estações do metrô na Av. Luiz Viana Filho e deixou 40 mil pessoas sem saber como voltar para casa. Diante das reclamações do governo do estado, que insinuou que a Prefeitura prejudicou o povo com uma picuinha política, o Município se apressou em dizer que a retirada dos ônibus foi uma solicitação do governo [Leia mais...]

Foto: Tácio Moreira/Metropress
A grande polêmica da semana passada em Salvador foi a retirada dos ônibus de dentro do Centro Administrativo da Bahia (CAB). A medida foi posta em prática logo após a inauguração das quatro estações do metrô na Av. Luiz Viana Filho e deixou 40 mil pessoas sem saber como voltar para casa. Diante das reclamações do governo do estado, que insinuou que a Prefeitura prejudicou o povo com uma picuinha política, o Município se apressou em dizer que a retirada dos ônibus foi uma solicitação do governo.
Atendendo a um questionamento da Metrópole, a Secretaria de Mobilidade (Semob) mostrou que, mesmo que não tenha havido pedido por parte do estado, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano (Sedur) já sabia da retirada dos ônibus do CAB desde o início de abril.
O que era “pedido” virou “discutido”
O secretário de Mobilidade, Fábio Mota, mudou de versão sobre o imbróglio com o governo. Se, na semana passada, o titular da pasta falou que o governo “pediu” a retirada dos ônibus, agora alega que o assunto “foi discutido e combinado” com o estado.
“Tanto que em 6 de abril perguntaram como seria e a gente respondeu como seria. Tanto eles sabiam que implantaram o circular gratuito, que é o que tem lá hoje”, declarou ao Jornal da Metrópole.

Em vez de ofício, comunicação foi por email
A Metrópole teve acesso a uma troca de emails entre um diretor da Secretaria Municipal de Mobilidade e uma executiva da Sedur. Neste, não há nenhum pedido do governo para que os ônibus saiam do CAB. Há, no entanto, a clara comunicação da pretensão da Prefeitura de retirar os ônibus tradicionais de dentro do Centro Administrativo.
Os emails mostram que a Sedur pede informações sobre o “projeto de reestruturação” do Sistema de Transporte Complementar e recebe, entre outras informações, a mensagem de que “os horários específicos feitos por linhas de bairros não mais deverão existir”.
“Não tem documento algum que tenhamos recebido”
Grace Gomes, superintendente de Mobilidade da Sedur, negou que tenha sido comunicada da retirada dos ônibus. “Não tem documento algum que tenhamos recebido sobre as linhas de horário. Quando inauguramos [o metrô na Paralela], entramos com o circular do CAB gratuito. E meio-dia, houve uma ordem da Prefeitura de suspender as linhas [de bairro], porque de tarde os funcionários estavam nos seus pontos e os ônibus não passaram. Foi um desrespeito”, declarou à Metrópole.
Grace negou que os emails sirvam de comunicação oficial. “Para que o governador tomasse a decisão de mandar fazer licitação, ele precisava de um documento oficial, não uma troca de emails. Nós, da Sedur, fizemos um ofício, eles responderam, e foi esse documento que deu o start para a licitação. Só que só recebemos a resposta de Fábio Mota no dia 22, e no dia 23 o metrô começou a funcionar. Então tivemos de licitar emergencialmente”, falou.
Fábio Mota elogia integração com metrô
Mota também alegou que não houve desabastecimento de ônibus no CAB. “Não tiramos linhas. Tiramos ônibus no horário. Por quê? Porque o estado implantou o circular gratuito, que pega no CAB e leva para as estações do metrô e para os pontos da Av. Paralela. Os ônibus que ficariam parados no horário de pico nós trouxemos para o ponto do Estádio de Pituaçu. Porque, com a chegada do metrô, aquilo virou uma rodoviária. É uma multidão no ponto de ônibus, porque todo mundo pega o metrô que vem da Lapa, de Pirajá, desce ali e dá sequência na viagem”, falou.
Segundo Mota, a atual situação causa estranheza, mas ajuda o usuário do transporte público. “Para quem mora em Periperi, em Paripe, é muito melhor pegar o metrô em Pituaçu, descer pra Pirajá e de lá seguir para seu bairro. O cara que iria pra Barra pega o metrô ali, vai pra estação da Lapa, e chega na Barra muito mais rápido”, completou.
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