Cidade

Cemitérios municipais não comportam demanda; população espera até cinco dias por enterro

A morte de um parente já é algo extremamente dolorido, mas a situação fica ainda pior se a família precisar fazer o enterro em um cemitério municipal de Salvador. O técnico de enfermagem Demirvaldo Freitas sentiu na pele a experiência traumatizante ao tentar dar um enterro digno à tia [Leia mais...]

[Cemitérios municipais não comportam demanda; população espera até cinco dias por enterro]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 06 de Julho de 2017 ⋅ 08:14

A morte de um parente já é algo extremamente dolorido, mas a situação fica ainda pior se a família precisar fazer o enterro em um cemitério municipal de Salvador. O técnico de enfermagem Demirvaldo Freitas sentiu na pele a experiência traumatizante ao tentar dar um enterro digno à tia. “Ela foi a óbito na segunda-feira, dia 26 de junho, e só tinha vaga para ser enterrada na sexta-feira ou no sábado”, lembra.

Ele conta que procurou os cemitérios de Plataforma e em Pirajá e em ambos escutou que a família teria que esperar, no mínimo, quatro dias para o enterro. “É muito triste. A gente passou por esse constrangimento, sofrimento de estar pedindo a um e a outro. E em Plataforma o coveiro ainda pediu R$ 150 para enterrar minha tia, mas eu não deixei dar, isso é propina”, desabafa.

Contando com desistência
E a família do técnico de enfermagem não foi a primeira a passar por essa situação. Dos dez cemitérios administrados pela Prefeitura de Salvador, é difícil encontrar um que não tenha déficit ou uma grande fila de espera para a realização de enterros.

Há cerca de um mês, o motorista desempregado Fábio Porto também teve dificuldade para encontrar vaga para enterrar a mãe no cemitério de Brotas. “A gente só conseguiu enterrar no dia porque teve uma pessoa que desistiu”, conta.

Semop culpa violência: “Aumento de 40% no número de sepultamentos”
Responsável pela administração dos cemitérios, a Secretaria de Ordem Pública reconheceu que a demanda tem sido maior que a oferta e culpou o aumento da violência na capital. “Em 2013, foram sepultadas 3.735 pessoas. Em 2016, 5.217. É um aumento de 40%. Realmente, nenhum cemitério municipal comportaria esse aumento de sepultamentos. A gente vinha com a média suportável, tinha atendimento pleno e, de 2013 a 2016, teve esse aumento acima da curva. Isso se deve à violência. Os números são alarmantes”, argumentou o secretário Marcos Vinícius Passos.

Licitação deve criar mais 500 vagas
Agora, a Semop aposta em uma nova contratação para desafogar o sistema funerário de Salvador. “Vamos iniciar a licitação para ampliação de vagas de cemitério. Neste primeiro momento, vamos fazer em torno de 400 a 500 urnas verticais em seis cemitérios”, adiantou. A abertura do processo licitatório, segundo a Semop, deve ser encaminhada na próxima semana.

Morte violenta impede a cremação
Uma esperança para desafogar a fila seria o serviço de cremações, pouco utilizado em Salvador. Apesar das 730 gratuidades oferecidas pela Prefeitura anualmente, o desconhecimento por parte da população, questões religiosas e o alto índice de mortes violentas impedem a maior utilização do serviço. “A maioria das mortes é violenta: tiros, facadas... A pessoa morta dessa forma, pela lei, não pode ser cremada, porque a Polícia Técnica pode pedir a exumação do corpo”, explica Passos.

Ossos são retirados a cada 3 meses
Procurado pelo Jornal da Metrópole, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) afirmou que não registrou reclamações sobre a falta de vagas nos cemitérios municipais nos últimos seis meses.

De acordo com a Prefeitura, a não retirada dos ossos, após o prazo de três meses, complica o remanejamento nos cemitérios. “Estamos vendo a parte legal com a Procuradoria para, após os três anos, caso a família não venha, a gente tentar fazer a cremação da ossada”, afirma o titular da Semop.

Notícias relacionadas