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Antropólogo ressalta 'legado histórico' de Mãe Stella
Ele ainda deu ênfase à luta da iyalorixá contra práticas racistas

Foto: Reprodução/Mokambo
O antropólogo Ordep Serra lamentou o falecimento da iyalorixá Mãe Stella de Oxóssi, que morreu hoje (27) aos 93 anos, em Salvador. Em entrevista ao Metro1, ele ressaltou o "legado histórico" deixado pela líder religiosa. Ordep, que também é ogan (do iorubá -ga: "pessoa superior, chefe", com possível influência em uma casa de candomblé), a importância de Mãe Stella será lembrada ao longo dos tempos.
"Ela foi uma sacerdotisa que era profunda conhecedora do seu culto. Escreveu livros notáveis e ensaios preciosos sobre o candomblé. Ela fez uma etimologia desde dentro. Isso é muito importante, se notabilizou como escritora e entrou na academia de letras da Bahia, com todo mérito. Tive a honra de ser seu confrade, ainda que por pouco tempo", disse Ordep.
Ele ainda deu ênfase à luta da iyalorixá contra práticas racistas. "Tem destaque também sua luta contra o racismo, um dos males mais sinistros do Brasil. É uma perda que estamos tendo, esperamos que os orixás nos brindem com outras 'Stellas'", declarou.
"Ela deu uma projeção muito grande ao culto dos orixás. Pelo lado lado religioso, ela deixa um legado preciosíssimo. Ela representou a inteligência negra da Bahia de uma maneira brilhante. Ao mesmo tempo em que ela era ativista da luta antirracista, sua imagem representava isso, ela era uma escritora de talento notável", finalizou o especialista.
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