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Alunos reclamam de demissões de professores na Estácio em Salvador; faculdade diz que é 'natural'

Empresa ainda destaca que "a norma coletiva da categoria prevê que eventuais movimentações de professores só ocorram em janela muito restrita"

[Alunos reclamam de demissões de professores na Estácio em Salvador; faculdade diz que é 'natural']
Foto : Divulgação

Por Juliana Almirante no dia 12 de Dezembro de 2019 ⋅ 12:04

Alunos da Faculdade Estácio em Salvador estão preocupados com a demissão de cerca de 60 profissionais da unidade, entre professores e coordenadores. Os desligamentos ocorreram no início da semana, após o encerramento do último semestre do ano.

Procurada pelo Metro1, a faculdade disse, em nota, que as demissões "fazem parte de um processo natural para qualquer instituição de ensino". A empresa ainda destaca que "a norma coletiva da categoria prevê que eventuais movimentações de professores só ocorram em janela muito restrita, o que faz com que o volume de desligamentos fique concentrado em curto espaço de tempo".

Um dos profissionais demitidos relata que a situação que ocorreu nas unidades de Salvador se repetiu em várias unidades da rede, em todo o país.

“Não houve critério de demissão e é uma política que eles têm. Foi independentemente da qualificação, de especialista a doutor, foi demitido da mesma forma. Faz parte do mercado, é natural, mas o problema, é que, em site de pesquisa, você vê que, só nesse ano, a Estácio tem lucro liquido de milhões. São mais de 80 unidades no Brasil e se multiplicar, são mais de 2 mil (profissionais). A política é de demitir, para não acumular direito trabalhista. Eles declaram contenção de custos”, explica.

No total de 22 coordenadores, quatro foram desligados no campi do bairro da Calçada e cinco no do Stiep. Nos cursos da área de gestão, por exemplo, foram oito professores demitidos, dentre um total de 19.

Com a demissão dos coordenadores dos cursos, fica difícil até mesmo para os alunos encontrarem respostas para saber qual será a situação da faculdade no próximo semestre, segundo uma estudante de Pedagogia ouvida pelo Metro1. “Tentamos conversar, mas o reitor não está na faculdade. Os alunos não tem resposta de porque foram demitidos. Os coordenadores foram demitidos, então não temos como saber. Só no meu curso, foram três professores e um coordenador demitidos”, afirma.

Outro aluno de Engenharia Mecânica conta que também perdeu não apenas a coordenadora do curso, como quatro professores e entre eles aquele que iria orientar o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) no próximo semestre. Ele diz que a faculdade já havia demitido professores, em menor quantidade, no primeiro e no segundo semestres desse ano, o que havia provocado prejuízos também.

“A gente não tem clareza do que vai ser pra frente. Já tinha acontecido no início desse ano, mas em escala menor e não gerou tumulto que aconteceu agora”, reclama.

Confira a nota da Estácio, na íntegra:

“A Estácio informa que os desligamentos realizados fazem parte de um processo natural para qualquer instituição de ensino que periodicamente avalia a sua base de docentes, adequando-a às necessidades do mercado, demandas de cursos e às particularidades das praças em que atua. A norma coletiva da categoria prevê que eventuais movimentações de professores só ocorram em janela muito restrita, o que faz com que o volume de desligamentos fique concentrado em curto espaço de tempo. 

Além de atuar em total conformidade com as normas do órgão regulador e com a legislação em vigor, a Estácio reafirma seu compromisso em manter a qualidade de ensino que conquistou com muito trabalho ao longo dos últimos anos.”

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