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Caso de guru acusado de abuso é investigado 'com a maior cautela', diz promotora do MP-BA

"Não há interesse em condenar ninguém previamente", explicou Sara Gama, em entrevista à Rádio Metrópole

[Caso de guru acusado de abuso é investigado 'com a maior cautela', diz promotora do MP-BA]
Foto : Metropress

Por Juliana Rodrigues no dia 11 de Agosto de 2020 ⋅ 09:57

A promotora Sara Gama, do Ministério Público da Bahia (MP-BA), falou hoje (11), em entrevista a José Eduardo, na Rádio Metrópole, sobre a investigação das denúncias contra o líder espiritual Jair Tércio Cunha Costa. Ele é acusado de abusar sexualmente de pelo menos 14 mulheres. A pedagoga Tatiana Badaró disse ser uma das vítimas e falou à Metrópole sobre os abusos, no último dia 3.

De acordo com a promotora, que coordena o Grupo de Defesa da Mulher e da População LGBT (Gedem) do MP-BA, a investigação é realizada "com a maior cautela". "O que acontece é o seguinte: esse caso, particularmente, nos chegou através da ouvidoria do MP-BA, estamos em fase de investigação e ainda não temos nada que possa conduzir, dizer se aconteceu ou não aconteceu. Logicamente, quando você tem uma vítima que vai lá e diz uma coisa, você tem um peso. Quando você tem 14 vítimas dizendo o mesmo, o peso é outro. Por conta disso, temos o maior cuidado, essa investigação está sendo feita com a maior cautela, não há interesse em condenar ninguém previamente", afirmou.

Alguns dos abusos teriam sido cometidos por Jair Tércio há mais de dez anos, mas só foram relatados agora. A promotora explicou que a demora para registrar a ocorrência é comum nesses casos. "A pessoa passou por essa situação e levou muito tempo para se convencer, inclusive, de que tinha sido vítima, porque é muito difícil olhar uma pessoa por quem você tem um sentimento de veneração, que se trata de um líder, um guia, alguém que você tem respeito, e de repente você se dar conta de que essa pessoa supostamente praticou um crime contra você, um crime contra a sua dignidade sexual. Os crimes sexuais têm conotações muito sérias. Não se trata só do abuso físico, mas também do emocional. Nesse caso específico, quando uma das vítimas foi à mídia e às redes sociais falar do que aconteceu com ela, outras se sentiram encorajadas a falar também", disse.

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