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Guerra Civil e Ebola: Amorim conta experiências vivenciadas no jornalismo

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Guerra Civil e Ebola: Amorim conta experiências vivenciadas no jornalismo

O jornalista Paulo Henrique Amorim contou, durante o Entre Páginas Especial, realizado nesta sexta-feira (18), sobre suas experiências à frente da apresentação do Globo Repórter. De acordo com o escritor, a pior situação que ele passou foi na cobertura da Guerra Civil em Ruanda, iniciada em 1990. [Leia mais...]

Guerra Civil e Ebola: Amorim conta experiências vivenciadas no jornalismo

Foto: Tácio Moreira/ Metropress

Por: Paloma Andrade e Matheus Simoni no dia 18 de dezembro de 2015 às 17:59

O jornalista Paulo Henrique Amorim contou, durante o Entre Páginas Especial, realizado nesta sexta-feira (18), sobre suas experiências à frente da apresentação do Globo Repórter. De acordo com o escritor, a pior situação que ele passou foi na cobertura da Guerra Civil em Ruanda, iniciada em 1990. 

“O aperto maior foi quando eu fiz um Globo Repórter sobre a Guerra Civil em Ruanda. Um milhão foram mortos. Muitas pessoas correram desta cobertura. As pessoas correram quando viram que as pessoas estavam sendo assassinadas a machado”, explicou. 

Segundo Amorim, outra vivência de aperto foi na cobertura da epidemia do vírus Ebola. “Eu também cobri o vírus Ebola. Fui num 'aviãozinho' até a capital do Congo [Kinshasa]. Alugamos um navarro [avião] para ir ao Ebola. Eu tinha um produtor muito bom, chamado David Priest. Ele trabalhou na Petrobras, falava bem o português. Ninguém podia ir à cidade, ela estava fechada. A OMS [Organização Mundial da Saúde] fechou. O David subornou o vice-ministro da saúde de Angola e fomos lá com um salvo conduto”, contou.

Amorim contou que, quando o avião pousou no local, os jornalistas não saíram do avião, e as pessoas passavam ao redor do mesmo levando os corpos das vítimas da doença. “Eu já estava lá e cheguei para o piloto e falei: 'Amigo,vamos fazer o seguinte: vamos fazer o contrário do capolo no filme Apocalypse Now, descendo o Rio Congo.' O piloto não quis, e eu disse: 'Meu filho, eu estou pagando'. Foi uma imagem inesquecível”, relembrou.

O jornalista disse, ainda, que chegando na zona do Ebola, o país estava fechado pela OMS. Segundo  o escritor, não havia nem aviões no aeroporto, somente uma aeronave com destino à Suíça. “Compramos a passagem no dinheiro, já que eles não aceitavam cartão. Só tinha um problema, vocês são uma equipe de TV, vocês tem que demonstrar que vocês não estiveram na cidade por causa do Ebola. Um motorista se apresentou e disse: 'Senhor, eu sou motorista deles e eu certifico que eles não saíram da cidade e não viram o ebola'. O cara do aeroporto olhou e depois autorizou”.

Paulo Henrique Amorim contou que precisou compensar o motorista após ter ajudado eles. “Antes de embarcar no avião, eu fui ao motorista, que nos abandonava todo dia para levar o filho à escola. Dei 100 dólares a ele e disse que era para dar ao filho dele. Ele virou para mim e disse: 'Monsieur, eu tenho dois filhos', contou o apresentador arrancando risos da platéia.