
Cultura
Tatau relembra histórias do samba junino e diz que violência atrapalha volta do movimento
Movimento surgido na década de 1970 movimentou as comunidades com bastante força nas décadas de 80 e 90

Foto: Reprodução/Youtube
O cantor e compositor Tatau relembrou histórias do samba junino durante entrevista ao Jornal da Cidade da Rádio Metropole. O movimento provocava uma efervescência em alguns bairros da cidade durante o mês de junho e julho. Grupos formados pelos próprios moradores faziam a festa da comunidade com os ensaios aos finais de semana. As pessoas costumavam visitar outros bairros para conferir a festa dos outros grupos.
“Hoje a gente não pode. O ir e vir talvez seja um dos grandes problemas. Eu lembro que eu era do Forno, na Cardeal da Silva, e fazia parte de um grupo no Engenho Velho da Federação, na Rua Apolinário Santana”, lembra Tatau.
“Já morei no Engenho Velho de Brotas e Engenho Velho da Federação e quero aproveitar e mandar um abraço porque eu sei que existe pessoas que carregam esse sonho de voltar a rever o movimento e hoje é muito difícil por conta da violência. Por conta dessa coisa de que fulano que é de um bairro não pode ir para outro. Eu ia. Eu saía com meus companheiros de samba da Goméia, Bino, Beijinha, Jair, todo mundo, e a gente circulava”, conta o cantor a movimentação ocorrida nas décadas de 1980 e 1990.
Tatau recorda que o ensaio do Samba Scorpion era no domingo e nos outros dias havia o ensaio de outros sambas, nos quais ele dava canja. “A gente saía por aí e era muito gostoso”.
O cantor também falou sobre a espontaneidade do movimento, cuja recompensa não estava associada ao dinheiro. “Aí você pergunta: Alguém ganhou dinheiro? Qual o prêmio disso? Era a comunidade. Era a ladeira estar cheia para a gente curtir com a cara de quem fez ensaio na sexta e não encheu. Era esse o prazer. Não passava disso. A curtição era essa. Ninguém ficou rico, ninguém ganhou dinheiro, mas foi um movimento criado, assim, de coração. Era coração puro. Era o prazer de ver as quadras cheias”, disse Tatau.
O artista, porém, lembrou que muitas pessoas que tiveram contato com a música no samba junino brilharam com a Axé Music. “Quem fez parte do Samba Scorpion, quem teve projeção em algo ligado a música: Xexéu (Timbalada), Reinaldo (Terra Samba), Eu, Leandro Guerrilha (radialista e vereador), Cabo Deu (regente da Timbalada), Gilvan (regente da Timbalada), André (pandeirista do Bom Balanço), tudo isso só em um grupo de samba junino”, relatou.
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.

