Cultura
Autores independentes enfrentam desafios e buscam espaço no mercado literário na Bienal do Livro

Com preços acessíveis e acervo diverso, estandes de livros usados conquistam novos públicos

Foto: Ana Clara Ferraz
Os sebos voltaram a ganhar destaque entre leitores de diferentes idades e perfis, reforçando seu papel na democratização do acesso à leitura. Com preços mais acessíveis, esses espaços têm atraído especialmente jovens interessados em obras de qualidade, muitas vezes de autores consagrados, mas que seriam mais difíceis de adquirir em livrarias tradicionais.
Na Bienal do Livro Bahia, essa valorização ficou evidente com a presença de sebos entre os estandes. Pela primeira vez no evento, a Graúna Bons Livros Usados, fundada em 1986, levou ao público um acervo variado. Segundo o livreiro Eduardo Sarno, os livros chegam por meio de compra ou doação e passam por uma curadoria cuidadosa. “A gente faz uma seleção do que é melhor. Nosso critério não é trazer saldo, mas livros de qualidade, junto com quantidade e preço acessível”, explica. Ele destaca ainda o interesse crescente de estudantes por obras relevantes para a formação cultural e intelectual.
A participação na Bienal também tem ampliado o alcance dos sebos. Para Sarno, o contato direto com o público tem sido uma oportunidade de apresentar esse tipo de comércio a quem ainda não conhecia. “O sebo da Bienal se distingue dos outros estandes por essas características. Tem atraído tanto quem já gosta quanto quem está descobrindo agora”, afirma.
Essa procura também foi percebida por Tatiana Queiroz, do Cantinho do Sebo. Ela aponta o preço dos livros novos como um dos principais fatores que levam o público aos sebos. “Hoje em dia o preço do livro está um pouco salgado e o sebo trabalha com metade do valor, às vezes um pouco mais ou menos”, diz. Segundo ela, muitos visitantes têm buscado diretamente esse tipo de estande durante o evento.
Além da questão financeira, Tatiana ressalta a experiência única proporcionada pelos livros usados. Para muitos leitores, o encanto está em folhear, garimpar títulos e até encontrar dedicatórias ou marcas deixadas por antigos donos. “A pessoa gosta de tocar no livro, procurar, sentir o cheiro, ver que alguém já leu. Isso é muito bom”, comenta.
Mesmo com um início de movimento mais tímido, o fluxo de visitantes cresceu ao longo dos dias, com destaque para o sábado (18), que registrou grande público.
A Bienal do Livro da Bahia teve início da ultima quarta-feira (15) e segue até a próxima terça-feira (21) A organização estima cerca de 120 mil visitantes ao longo dos sete dias de evento, considerado o maior encontro literário do Nordeste.
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