
Cultura
Autores independentes enfrentam desafios e buscam espaço no mercado literário na Bienal do Livro
Contato direto com leitores e histórias potentes impulsionam a produção fora das grandes editoras

Foto: Ana Clara Ferraz
Os autores independentes têm conquistado mais espaço no cenário literário brasileiro, mas o caminho até o reconhecimento ainda é marcado por desafios. Da produção à divulgação, esses escritores acumulam funções para garantir que suas histórias cheguem ao público. Na Bienal do Livro Bahia, essa realidade fica evidente.
Além de lançar obras, eles vendem, divulgam e dialogam diretamente com os leitores. Para a escritora Aline Santos, de Salvador, a trajetória de dez anos na literatura independente é fruto de persistência. Professora e psicopedagoga, ela encontrou na sala de aula a inspiração para escrever sobre inclusão e diversidade. “A gente ouve vários ‘nãos’ na vida, mas tem que erguer a cabeça e encarar”, afirma. Na Bienal, ela lança “A Criança Imperativa”, que aborda o TDAH de forma lúdica e positiva.
Aline conta que começou a escrever a partir de pesquisas acadêmicas e da convivência com alunos. Seu primeiro livro surgiu como trabalho de conclusão de curso, focado na inclusão de estudantes com TDAH, e abriu caminho para outras obras voltadas ao público infantojuvenil.
Já a estudante Sarah Lélis relata a experiência da mãe, a escritora Miriam Lélis, que decidiu publicar de forma independente ao perceber que sua história não caberia em uma coletânea. O livro “Não Me Calarei, Entre o Amor e a Coragem” trata da violência sexual infantil. Segundo Sarah, o maior desafio é falar sobre o tema. “Muitas pessoas ainda têm medo, desviam o olhar quando a gente menciona”, diz, ressaltando a importância de romper o silêncio.
A dificuldade de divulgação também é apontada por Stefanie Cabanelas. Sem apoio de grandes editoras, ela cuida de todas as etapas do processo. Durante a Bienal, encara longas jornadas de trabalho. “São muitos dias e horas em pé, explicando e divulgando, mas é um sonho”, afirma. Apesar do cansaço, o retorno do público compensa e mostra a força da produção independente.
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