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Adeptas do candomblé, irmãs celebram Nossa Senhora da Boa Morte com ‘devoção exclusiva’

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Adeptas do candomblé, irmãs celebram Nossa Senhora da Boa Morte com ‘devoção exclusiva’

Gerente do Ipac, Nívea Santos detalhou ao Metrópole Turismo como será a tradicional festa de Cachoeira na próxima semana

Adeptas do candomblé, irmãs celebram Nossa Senhora da Boa Morte com ‘devoção exclusiva’

Foto: Elói Corrêa/GOVBA

Por: Luiza Leão no dia 10 de agosto de 2018 às 17:00

Patrimônio cultural imaterial da Bahia desde 2010, a Festa da Irmandade da Boa Morte será celebrada na próxima semana, de segunda (13) a sexta-feira (17), em Cachoeira, no Recôncavo baiano. 

A manifestação religiosa tem quase 240 anos e, como protagonista, a devoção de mulheres negras à Nossa Senhora da Boa Morte e Glória – devido à assunção dela ao céu. Tradicionalmente, o grupo é formado por mulheres a partir de 50 anos, solteiras ou viúvas, e teve início no começo do século 19 em Salvador, na Igreja da Barroquinha, com o propósito de oferecer uma boa morte à população de mulheres que estavam tanto na condição de escravas quanto livres.

Em entrevista à Rádio Metrópole, Nívea Santos, gerente de cultura imaterial do Ipac (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural), contou que, apesar de atualmente muitas das adeptas da irmandade serem membros de terreiros de candomblé, durante a celebração à santa “a devoção é exclusiva”.

“Elas têm essa separação mesmo e não é somente de 13 a 17. Há todo um processo anterior a esses dias, tanto de preparação para a festa quanto da devoção em si. Na irmandade, há determinados cargos. A provedora, por exemplo, precisa manter a Nossa Senhora durante um ano em sua residência. O sentimento delas é realmente de guarda dessa fé”, declarou. A festa dura uma semana porque é processual. 

“No dia 13 são lembradas as irmãs já falecidas. A ceia e as vestes são brancas. No início, a ceia era privada. Hoje, as irmãs dividem com as pessoas que estão naquele momento. O dia seguinte é o da dormição. É quando a procissão sai. No dia 15 seria o ápice: o dia em que a nossa senhora sobe ao céu. É o mais concorrido. Há a valsa e o samba de roda. Antes de servir a ceia, uma feijoada, e depois há uma programação de manifestações culturais locais”, acrescentou.

Para integrar a cúpula da irmandade, a mulher interessada a pertencer ao grupo se aproxima, a convite de alguma integrante, e acompanha as atividades à distância, até que a irmandade a aceite. O comportamento e a dedicação dela são critérios avaliados para a inclusão da nova irmã: “De bolsa”. Ela será responsável por angariar recursos para a festa na própria cidade de Cachoeira ou no município onde reside.

Cada mulher dentro da organização desempenha uma atividade específica, com cargos e hierarquia. Há irmãs responsáveis pelas finanças, pela organização do festejo, pela fabricação de velas e incensos artesanais – usados durante a procissão – e até mesmo a fase de estágio, que dura entre dois a três anos.

Assista a entrevista completa: